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Reportagem

Número de menores centro-americanos que chegam aos EUA dobrou desde 2012

Áudio 06:46
Imigrantes ilegais esperam na igreja do Sagrado Coração, em McAllen, no Texas,  27 junho de  2014.
Imigrantes ilegais esperam na igreja do Sagrado Coração, em McAllen, no Texas, 27 junho de 2014. REUTERS/Stringer

Desde outubro do ano passado, 57 mil jovens desacompanhados foram parados na fronteira americana com o México. Esse número é o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior e assusta as autoridades americanas.  

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Colaboração especial de Rhossane Lemos para RFI

Os jovens têm entre 10 e 15 anos e nasceram na Guatemala, Honduras, El Salvador e México. O percurso da imigração ilegal é longo e perigoso. Eles são entregues por parentes a coiotes e transportados na maioria dos casos em trens ou caminhões de carga até os Estados Unidos.

Segundo conta o professor Eduardo Siqueira , da Universidade de Massachussets, em Boston, logo que são pegos, os menores seguem para centros de detenção onde dormem no chão e são considerados criminosos pela lei americana. “O número de crianças presas se avolumou e elas são colocadas nisso que eu chamo de depósitos. Tem havido uma expulsão dessas crianças da América Central, especialmente por causa do tráfico de drogas”, conta o professor.

Pela legislação americana, esses jovens devem permanecer presos até o julgamento e a quase certa deportação. O Departamento de Segurança Interna americano se apressa para abrir mais centros de detenção.

A pesquisadora e diretora executiva do Centro de Imigração Brasileira nos EUA, Natalícia Tracy, relata que para abrigar os menores temporariamente, o governo pediu auxílio aos estados americanos, mas a maioria se negou a colaborar.

Para Tracy, a maior responsabilidade sobre a imigração ilegal tanto de adultos, e agora especialmente de crianças, é dos EUA. “Eu não vejo os EUA como inocentes ou vítimas. Eles têm essa mentalidade de superpoderosos, com a arrogância de quem faz as coisas e não mede as consequências”, conclui. Ela lembra que há cerca de 30 anos, os americanos interferiram e abasteceram com armas guerras civis na região, como a que aconteceu em El Salvador - um dos fatores que explica a imigração.

Oficiais de imigração e juízes estão sendo realocados em caráter de emergência para agilizar os processos e acelerar os julgamentos no Vale do Rio Grande do Texas, por onde a maioria dos migrantes está entrando ilegalmente.

 

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