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Em fase difícil no governo, Hollande comemora aniversário de 60 anos

O presidente da França, François Hollande, completa hoje 60 anos.
O presidente da França, François Hollande, completa hoje 60 anos. Reuters/Benoit Tessier

Os jornais franceses dessa manhã dão destaque para o aniversariante do dia: o presidente François Hollande que completa 60 anos. Mas o jornal conservador Le Figaro não poupa as críticas ao presidente.

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O jornal tem uma manchete amarga e diz que François Hollande não tem motivos para comemorar. O presidente está "isolado politicamente". Em um editorial na capa, o jornal é categórico: "nunca um presidente pareceu tão sozinho e impopular". Hollande, avalia Le Figaro, coleciona desafetos dentro do seu próprio partido, o que pode complicar a agenda do governo.

A partir do dia 20 de agosto, Hollande e o primeiro-ministro Manuel Valls vão anunciar uma série de reformas, mas o tempo está se esgotando. Hollande e os socialistas têm apenas mais dois anos pela frente antes das eleições para um novo mandato.

Aniversário em família

O jornal Aujourd'hui en France dá detalhes sobre o dia do presidente. Hollande comemora seus 60 anos com seus 4 filhos no sudoeste da França. Essa festa vai ser íntima e os rumores de que ele aproveitaria a data para se casar com a atriz Julie Gayet foram descartados, escreve o jornal.

Fiel ao seu estilo popular, o jornal foi às ruas perguntar aos franceses o que eles desejavam ao presidente no dia do aniversário. Um dos entrevistados deseja que o "presidente tire férias de verdade porque ele parece muito estressado". Um outro é mais crítico e pede que Hollande "pare de debochar dos seus eleitores e faça uma política realmente de esquerda".

Já uma outra entrevistada pede que os franceses deixem de julgar Hollande apenas pela sua aparência. "O presidente faz coisas boas, mas como não tem muito carisma e não é muito elegante, as pessoas dizem que ele não tem personalidade e são muito duras com ele", lamenta a leitora.

No Libération, o destaque é o Iraque

O Iraque é incapaz de lutar contra os radicais islâmicos que ameaçam o país, não tem poder para defender suas minorias e sofre com disputas internas dentro do governo. Esse é um resumo da situação iraquiana feito pelo jornal. O golpe de misericórdia na crise iraquiana foi o anúncio da saída do premiê Nouri al-Maliki ontem. Maliki, porém, se recusa a deixar o cargo, o que promete abrir mais uma frente de batalha.

O jornal lembra que Maliki teve uma atuação muito criticada. Pouco diplomático, ele isolou sunitas e curdos e é criticado até mesmo pelos seus próprios pares da comunidade xiita.

Ebola é metafora da desigualdade

No jornal La Croix, a epidemia de vírus ebola aparece na capa. O jornal se questiona sobre os debates éticos que envolvem os tratamentos experimentais contra a doença. O ebola, diz o diário católico, é uma metáfora das desigualdades do mundo. Prova disso é a disparidade entre o tratamento aplicado ao médico norte-americano contaminado na África e às centenas de africanos infectados.

O médico norte-americano teve um "dispositivo espetacular" para apoiá-lo e levá-lo de volta aos Estados Unidos. Enquanto isso, os demais pacientes africanos tiveram que se contentar com recursos limitadíssimos para tentar evitar o avanço da epidemia.

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