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Imprensa

Jornais de esquerda e de direita concordam com a gravidade da crise do governo francês

O jornal conservador Le Figaro e o jornal de esquerda Libération trazem a mesma manchete sobre a crise no governo francês.
O jornal conservador Le Figaro e o jornal de esquerda Libération trazem a mesma manchete sobre a crise no governo francês. Reprodução
Texto por: Cíntia Cardoso
4 min

A crise no governo francês, que provocou a demissão da equipe ministerial nessa segunda-feira (25), provocou um  fenômeno inusitado na imprensa francesa. Ttanto o jornal de esquerda "Libération" quanto o de direita "Le Figaro" trazem a mesma manchete hoje: "Crise de Regime". Os dois jornais também estampam fotos parecidas com o presidente François Hollande sob a chuva.

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O Libération traz na capa uma foto bastante simbólica. Hollande em pé, de costas e sozinho sob uma forte chuva. No editorial, o jornal escreve que o agora ex-ministro Arnaud Montebourg não esperava que as suas críticas feitas durante o final de semana fossem provocar a sua saída e a queda de todo o gabinete.

O Libération argumenta que o governo precisava mostrar autoridade, mas afirma que as críticas de Montbourg são pertinentes e que mesmo o FMI, vários prêmios Nobel, a esquerda europeia e até o New York Times se questionam sobre a eficácia de políticas de austeridade.

Para o jornal, Montebourg deixa o governo justamente em um momento em que o próprio Banco Central Europeu começa a defender um plano conjunto de investimentos públicos para estimular o crescimento. Segundo o Libération, mais do que nunca, as críticas lançadas por Montebourg fazem sentido.

Mesma manchete; outro diagnóstico

O Figaro, que traz a mesma manchete do Libération, faz um outro diagnóstico da saída de Montebourg. O editorial na capa já dá a entender que, para o jornal conservador, Montebourg “já foi tarde”. Segundo Le Figaro, a saída do ex-ministro da Economia será positiva para autoridade do Estado e para a imagem da França na Europa.

Para o premiê Manuel Valls, que começa a sofrer com a queda na popularidade, era essencial mostrar autoridade nesse momento. Para o Partido Socialista, era preciso mostrar um pouco de coerência no governo. E, para os franceses, escreve o jornal, é melhor deixar claro de uma vez por todas que não será possível cumprir todas as "loucas" promessas da campanha presidencial de Hollande.

Perda da base aliada

O jornal Les Echos analisa que, praticamente, todos os grandes nomes que apoiaram a candidatura de Hollande estão fora do governo. Em 2012, Hollande foi eleito com o apoio do bloco de esquerda, dos ecologistas e até do ex-candidato do centro François Bayrou.

Dois anos depois, quase nada resta dessa aliança. Hoje, a grande maioria desses ex-aliados se mostra extremamente crítica ao governo e Hollande parece cada dia mais isolado. Para conseguir aprovar as novas reformas, o governo agora vai ter que lutar muito para fazer - ou refazer- alianças.

“Ou Montebourg ou eu”

O jornal Aujourd'hui en France traz os bastidores do mal-estar que se instalou no Palácio do Eliseu no domingo após as críticas públicas de Arnaud Montebourg. Segundo o diário, Valls teria colocado Hollande contra a parede: "Ou Montebourg ou eu. Não posso ficar de braços cruzados. Ele está destruindo tudo. Não vou deixar me ‘Ayraultizarem’", teria dito o premiê. O neologismo "ayraultizar" criado por Valls é uma referência ao ex-premiê Jean-Marc Ayrault que era conhecido pelo seu sangue frio e por engolir vários sapos nas disputas internas do PS.

Quanto ao futuro do governo, o suspense vai continuar ao longo do dia. Mas, para o jornal, “a lavagem de roupa suja” ainda não terminou e Valls parece determinado a "fazer uma faxina completa" e eliminar todos os seus opositores dentro do governo.

 

 

 

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