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Reportagem

Comunidades muçulmanas pelo mundo pedem fim da violência em nome da religião

Áudio 04:17
Campanha contra os grupos jihadistas:"Not in my name" ("Em meu nome, não", em inglês)
Campanha contra os grupos jihadistas:"Not in my name" ("Em meu nome, não", em inglês) activechangefoundation.org
Por: RFI
8 min

Campanhas em redes sociais, passeatas, declarações públicas. Revoltada com as ações de grupos jihadistas extremistas, a comunidade muçulmana pelo mundo diz basta à violência perpetrada por grupos extremistas islâmicos. Na Inglaterra, por exemplo, uma campanha da Fundação Active for Change está fazendo sucesso na internet.

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Taíse Parente, em colaboração para a RFI

A ideia é usar a hashtag "Not in my name" ("Em meu nome, não", em inglês) para repudiar as ações jihadistas. A mensagem é clara e impactante: não matem pessoas sob a pretensão de fazê-lo em nome do Islã.

Nesta quarta-feira (24), o assunto foi pauta do Conselho de Segurança da ONU. Durante a reunião, o órgão condenou o extremismo e pediu que os países colaborem com troca de informações para evitar a expansão do terrorismo pelo mundo.

No entanto, o chefe da diplomacia portuguesa, o ministro Rui Machete, afirmou que mais do que condenar as atrocidades cometidas pelos grupos terroristas, é importante que as autoridades religiosas e os países muçulmanos se juntem à comunidade internacional contra o extremismo.

"É muito importante ter a colaboração dos países muçulmanos, dos muçulmanos em geral e das autoridades religiosas para que as pessoas percebam que essa ação do grupo Estado Islâmico é profundamente ilegítima, mesmo sob uma perspectiva religiosa. Mas antes, é preciso manifestar esse repúdio através das autoridades religiosas para que isso não pareça uma espécie de movimento do Ocidente contra o Oriente. É um movimento dos povos civilizados e das pessoas que respeitam a dignidade humana contra verdadeiros criminosos e assassinos", afirmou o ministro.

Estigmatização

Na França, a morte do guia turístico Hervé Gourdel aumentou a revolta popular contra os atos extremistas. Em Paris, o presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano, Dalil Boubakeur, convocou uma manifestação para esta sexta-feira (26) em frente à principal mesquita da cidade. Por todo o país, franceses expressaram tristeza e revolta com a morte do compatriota, afirmando que é necessário diferenciar esses grupos terroristas dos muçulmanos em geral.

Segundo Camila Areas, especialista em Islã na Europa, essa diferenciação e a percepção de que a violência do grupo Estado Islâmico é ilegítima vai depender muito dos movimentos de repúdio que vemos hoje entre os próprios muçulmanos. Isso porque a estigmatização da religião muçulmana está cada vez mais forte no mundo e principalmente na mídia.

Origens

"É uma imagem que começou a ser construída com a Revolução Iraniana em 1979, em seguida temos o 11 de setembro e, desde então, a multiplicação de grupos terroristas islâmicos com cunho político contribui para que a mídia possa se reapropriar de uma imagem que é puramente negativa”, critica Areas.

Para ela, essa grande reação que parte das grandes representações institucionalizadas pelo mundo afora vai contrabalancear um pouco a estigmatização. “No momento em que o público vê que esses atos não são consenso, que são políticos e não representam a maioria dos praticantes dessa religião, ele entende que precisa fazer uma diferença e que não pode estigmatizar o Islã como uma categoria homogênea", explica a especialista. Nesse contexto, o risco é que o islã seja a primeira vítima da violência de grupos jihadistas por todo o mundo árabe.

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