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Morte do refém francês decapitado comove imprensa francesa

Capa dos jornais franceses Le Monde, Aujourd'hui en France, Le Figaro, Les Echos e Libération desta quinta-feira, 25 de setembro de 2014.
Capa dos jornais franceses Le Monde, Aujourd'hui en France, Le Figaro, Les Echos e Libération desta quinta-feira, 25 de setembro de 2014.
4 min

A morte do refém francês decapitado pelo grupo Estado Islâmico estampa as manchetes de todos os jornais que circulam na França nesta quinta-feira (25). O fim trágico do guia de montanhas deixou o país inteiro em estado de choque.

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“Decapitado por ser francês”. A manchete curta do Libération resume toda a indignação do jornal com o assassinato brutal de Hervé Gourdel, sequestrado por jihadistas ligados ao grupo Estado Islâmico. O guia de montanhas estava na Argélia para fazer caminhada, sua grande paixão, informa o Libé. O jornal chama Hervé Gourdel de mártir porque ele foi vítima de uma guerra que não lhe dizia respeito e estava na Argélia motivado apenas pelo contato e respeito com as populações que vivem em grandes montanhas.

Em editorial, o Libération faz um apelo para evitar o questionamento se a França deveria ou não ter iniciado a guerra contra os radicais islâmicos. "Duvidar nesse momento é justificar a tática desses bárbaros", afirma o jornal.

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“A barbárie”, estampa em título Le Figaro. O jornal conservador lembra em sua manchete que os terroristas tinham ameaçado na segunda-feira (22) matar o refém francês, caso a França não parasse em 24 horas seus bombardeios no Iraque. Em seu editorial, o jornal afirma que Hervé Gourdel era um homem curioso, aberto ao mundo, mas que estava no lugar errado na hora errada.

Sua imagem se junta a uma coleção de troféus sinistros de fanáticos sem rosto, escreve o jornal ao se referir a outros três reféns decapitados da mesma forma. O jornal diz sentir náuseas com esses crimes bárbaros e sua divulgação infame através da internet. “Alguém mais tem dúvida de que estamos em guerra contra esse islamismo radical?”, questiona Le Figaro. Para o jornal, só o Islã poderá extirpar de verdade esses jihadistas que estão aumentando o fosso entre povos e culturas.

França costumava pagar resgates

Para o Aujourd'hui en France, chegou a vez da França se deparar com a decapitação "quase ao vivo" de um de seus cidadãos. O governo francês sempre estabeleceu como prioridade a proteção de reféns e para libertá-los não hesitava em abrir os cofres. Mas, desta vez, o presidente François Hollande havia avisado que não negociaria. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que a França não deve mudar de estratégica e ceder neste momento seria dar razão ao grupo Estado Islâmico.

A morte de Hervé Gourdel deixou Hollande profundamente chocado. Segundo o Aujourd'hui en France, o chefe de Estado viu a imagens da decapitação poucos minutos antes de subir à tribuna da ONU para avisar que a França vai continuar a usar todos os meios para combater o terrorismo islâmico.

Destaque também na imprensa econômica

Para o Les Echos, os jihadistas desafiaram a França ao assassinar Hervé Gourdel. É a primeira vez que um refém da organização terrorista é decapitado na África, o que revela a expansão geográfica do grupo Estado Islâmico. Mais um motivo, segundo Les Echos, para a França agir militarmente ao lado de Washington para combater os jihadistas no Iraque.
 

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