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Reportagem

Aplicativos para celulares são grande novidade das eleições brasileiras

Áudio 04:15
Aplicativos para avaliar seus candidatos.
Aplicativos para avaliar seus candidatos. RFI
9 min

Acompanhar e comparar as propostas dos concorrentes, conhecer as zonas eleitorais e até lançar tomates virtuais nos candidatos. Nessas eleições, a grande novidade é o número de aplicativos para celulares lançados para facilitar a vida do eleitor.

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Taise Parente, em colaboração para a RFI

As eleições gerais no Brasil acontecem no próximo domingo, mas nada de ficar horas assistindo ao programa eleitoral na TV ou fazendo buscas nos sites dos candidatos. A novidade é acompanhar tudo através dos aplicativos para celulares.

Segundo um estudo da International Data Corporation, entre abril e junho de 2014 foram vendidos mais de 100 smartphones por minuto no Brasil. Para Gil Giardelli, professor de inovação digital da ESPM e da USP, essa explosão de vendas em todas as classes sociais explica o surgimento dos aplicativos para as eleições. O outro é um maior engajamento da população, que tem sede de cidadania e de informação.

"Hoje os nossos telefones sabem mais do que nós mesmos. O segundo ponto é o despertar da web-cidadania, do cidadão digital que agora está querendo participar das eleições e fazer com que sua opinião seja realmente respeitada. A gente está vivendo um mundo de participação coletiva. Se um dia o Brasil teve sede de democracia, agora ele tem sede de cidadania. E a cidadania está vindo por meio dessa sabedoria das multidões nas mídias sociais. Então a gente está realmente na infância de uma democracia digital", explica o professor.

Aplicativos são mais acessíveis

Nos aplicativos "Ficha Suja" e "Candidatos", ambos desenvolvidos por Maurício Júnior, professor de programação para celulares na Universidade Católica de Brasília, é possível navegar por partidos e candidatos, ver uma biografia de cada um e até mesmo participar de uma simulação de voto.

Até o fechamento desta reportagem, no dia 30 de setembro, Aécio Neves estava na liderança da simulação com mais de 200 votos, seguido de Marina, com 90 e Dilma, com 62 votos. Para Maurício, as vantagens de um aplicativo vão além da grande facilidade de se ter uma fonte offline de pesquisa à mão: há também maiores possibilidades de acessibilidade e compartilhamento. Ele explica, por exemplo, que desenvolveu o aplicativo para que uma pessoa com deficiência visual possa ouvir as informações.

Para Lucas Rossi, paulista de 26 anos, os aplicativos ajudam também na hora de conhecer os candidatos, já que muitas vezes os planos de governo não são divulgados com antecedência."É incrível porque até essa semana a gente não tinha o plano de governo de alguns candidatos. Os aplicativos acabaram reunindo falas e propostas apresentadas em discursos e debates. Isso é uma ajuda maior ainda, porque se no site não tinha o plano de governo, os aplicativos ajudaram a reunir as informações disponíveis sobre os candidatos, tudo na palma da minha mão", afirma Lucas.

Flerte eleitoral

Alguns aplicativos foram além e se inspiraram em sites de encontros. É o caso do "Voto x Veto". Conhecido como o "Tinder das eleições", o sistema faz um teste de compatibilidade às cegas no qual as propostas dos candidatos são apresentadas aos usuários anonimamente. Só depois do voto é que o aplicativo mostra quem é o autor de cada uma. O ojetivo é quebrar preconceitos e conhecer melhor as propostas dos candidatos, mesmo aqueles com quem pensamos não ter nenhuma afinidade.

Outros aplicativos, como o "Você Fiscal", têm uma proposta diferente. A ideia é verificar se as urnas eletrônicas foram fraudadas. O próprio desenvolvedor do aplicativo, o professor Diego Aranha, comprovou em 2012, durante um teste promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral, que o sistema era sujeito a falhas.

Aranha decidiu então criar um aplicativo para apuração independente, financiado e operado pelo próprio eleitor. Basta enviar uma foto do Boletim de Urna (BU), um recibo impresso no final da votação e afixado na porta da seção eleitoral com os votos recebidos por cada candidato naquela seção. O que o "Você Fiscal" faz é comparar todas as fotos enviadas pelos eleitores com o relatório divulgado pelo TSE e procurar por diferenças. Apesar de não saber quantas pessoas vão participar da iniciativa no próximo domingo, o professor Diego Aranha se mostra otimista e diz que projetos como esse são importantes para a democracia brasileira.

"Alguma fiscalização é melhor que nenhuma fiscalização, então a forma que a gente encontrou foi a de fiscalizar pelo menos a transmissão e totalização dos resultados. Eu espero que as pessoas colaborem e que o projeto cumpra o objetivo de deixar claro que as eleições brasileiras precisam de mais transparência", disse Aranha.

 

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