Ameaça de atentados terroristas não muda rotina dos franceses

Áudio 04:16
Patrulha policial aos arredores dos monumentos com o plano Vigipirate
Patrulha policial aos arredores dos monumentos com o plano Vigipirate AFP/Thomas Coex

Desde que a França iniciou os bombardeios aéreos no Iraque no dia 19 de setembro contra o grupo Estado Islâmico, o medo de um ataque terrorista se tornou parte do cotidiano da população. Segundo especialistas, a tendência é que, nos próximos meses, essa ameaça se concretize com o retorno de jihadistas europeus. Mas como os franceses lidam com essa situação no dia a dia?

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“A ameaça terrorista no país é real”, declarou recentemente o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve. A decapitação do guia de montanha Hervé Gourdel na Argélia é outra prova de que a França está na mira dos extremistas, o que levou o governo a adotar várias medidas para garantir a segurança da população, como o reforço do plano Vigipirate, criado em 1978. Ele aumenta a segurança nos transportes e em locais públicos, incluindo estações de trem e monumentos históricos. O Ministério das Relações Exteriores também divulgou uma lista de países que devem ser evitados pelos franceses, como Níger, Mali, Mauritânia e Argélia, entre outros.

Segundo o governo iraquiano, os jihadistas estariam preparando um atentado a bomba no metrô parisiense. O último ataque no transporte aconteceu em 1995 em um trem de subúrbio na estação Saint-Michel Notre Dame, uma das mais frequentadas pelos turistas, e foi perpetrado pelo movimento argelino GIA (Grupo Islâmico Armado) em um trem de subúrbio.

Para Fabrice Balanche, diretor do grupo de estudos sobre o Oriente Médio da Universidade de Lyon, é preciso estar preparado para uma onda de atentados em território francês nos próximos meses. “Isso acontecerá principalmente com o retorno em massa de jihadistas europeus ao país. Enquanto eles estiveram por lá, o risco é menor. Muitos deles são irrecuperáveis e a reinserção na sociedade é impossível. Eles cometeram tantas atrocidades na Síria e no Iraque que pegaram gosto pelo sangue. Eles terão vontade, por iniciativa própria, sem ligação com um plano organizado pelo grupo Estado Islâmico de derramar sangue”, diz.

De acordo com ele, “a longo e médio prazo não podemos escapar dos atentados. Isso pode acontecer em caso de fortalecimento do grupo Estado Islâmico, que enviará comandos na Europa, para mostrar seu poder de destruição e testar a determinação do governo francês na luta contra os jihadistas. Esse risco também existe se houver um enfraquecimento ou desaparecimento do grupo e o retorno de seus combatentes à terra natal”, explica.

Segundo o especialista, isso não significa que a população deva mudar seus hábitos. “Em uma cidade, de todo jeito, em caso de um atentado, sempre estaremos passando ao lado de onde explodiu uma bomba. Só nos resta contar com a competência da polícia”, diz. Ele acredita, entretanto, que dificilmente um ataque como o do 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, volte a acontecer. A tendência, diz, “são ataques individuais.” Para Balanche, os bombardeios aéreos da coalizão a longo prazo se tornarão improdutivos porque “atingem muitos civis e influenciam negativamente a opinião pública.”

Franceses estão vigilantes, mas não mudam rotina

A população francesa teme um atentado e está vigilante. Na Gare de Lyon, uma das principais estações de trem de Paris, os funcionários notaram um aumento da segurança e, principalmente, do número de alertas a bomba.

“Sim, existe uma grande desconfiança no transporte e também em lugares onde há muita gente. É evidente, todo mundo está em alerta. É uma ameaça que assusta. Tem câmeras de segurança por todos os lados, militares, policiais civis. A presença militar e das forças de segurança é palpável desde que o plano Vigipirate foi acionado na França”, diz o vendedor Ibrahim Mustaki, que trabalha em uma banca de revistas.

O engenheiro Sylvain Lecousté diz que, apesar do risco, não se sente “aterrorizado”. “Estamos bem protegidos na França, todas as medidas foram tomadas e tenho confiança em nosso país para administrar tudo isso. A vantagem é que todo mundo sabe o que está acontecendo e está alerta, prestando atenção no que acontece a seu lado.”

Esta também é a opinião da vendedora Anamaria, que trabalha na Gare de Lyon. “Sabemos que a estação é um alvo. E vemos com frequência militares e policiais civis circulando por aqui, e alertas de bomba, além de bagagens abandonadas”.

 

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