Imprensa britânica destaca virada de Aécio na última hora

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Em Londres, analistas esperam que chegada de Aécio Neves ao segundo turno seja bem recebida nos Mercados.
Em Londres, analistas esperam que chegada de Aécio Neves ao segundo turno seja bem recebida nos Mercados. EUTERS/Washington Alves

No Reino Unido, as eleições presidenciais brasileiras ganharam as primeiras páginas de alguns dos principais jornais. A imprensa destacou a ascensão de última hora do candidato do PSDB, Aécio Neves, e o impacto positivo que o resultado deve ter nos mercados nesta segunda-feira.  

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De Londres, Maria Luísa Cavalcanti

Antes das eleições, alguns veículos, como a revista The Economist e os jornais Financial Times e The Guardian, disseram que a economia seria o assunto mais importante na decisão de voto dos brasileiros. O Guardian, por exemplo, chegou a afirmar que o Brasil iria votar com a carteira, ou seja, pelo candidato que conseguisse manter o dinheiro no bolso do brasileiro.

Nesse contexto, muitos desses veículos explicaram por que a presidente Dilma Rousseff era a favorita. Eles lembraram que o governo do PT tirou milhões de brasileiros da pobreza e melhorou os índices de fome e desemprego, por exemplo. A reação ao resultado do primeiro turno foi de que, apesar dessas vantagens, Dilma não conseguiu a maioria necessária para já sair vitoriosa. Mas muitos jornais também esperavam que a candidata Marina Silva, do PSB, passasse para o segundo turno, como indicavam as pesquisas de opinião. E ficaram bastante surpresos com a virada de Aécio Neves, ainda mais pela diferença de votos que o distanciou de Marina.

Mero desconhecido

O curioso é que tanto Dilma quanto Marina são nomes de bastante projeção internacional. Marina, inclusive, é uma personalidade bastante admirada e uma voz bastante ativa na imprensa britânica em relação a questões ambientais. Mas Aécio Neves é praticamente desconhecido e, no resumo, é definido como sendo mais “business-friendly”, quer dizer, simpático aos mercados e a políticas mais liberais.

Os analistas britânicos estão com a expectativa de que a Bolsa de Valores de São Paulo abra bem e opere em alta, já que o candidato Aécio Neves é mais bem visto por investidores do que a presidente Dilma Rousseff. Ela é frequentemente descrita pela imprensa britânica como muito intervencionista. Os principais veículos de economia, como o Financial Times e a The Economist, frequentemente criticam essa postura da presidente em relação às principais estatais, como a Petrobras e a Vale.

Nas últimas semanas, diante da ascensão de Dilma nas pesquisas, a Bolsa de São Paulo sofreu quedas. E na sexta-feira, o real chegou a seu menor valor frente ao dólar nos últimos seis anos. Agora, o clima é de mais otimismo, pelo menos nesses primeiros dias pós-primeiro turno.

Romário e Copa

Em relação aos resultados para governo, senado e câmara, as reações da imprensa britânica foram econômicas.  O Guardian, que é um jornal de esquerda, destacou a eleição do ex-jogador Romário para o Senado, pelo Rio de Janeiro. O jornal lembra que ele foi deputado e foi uma das principais vozes contrária à maneira como a Copa do Mundo foi organizada no Brasil.
 

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