Na Feira de Frankfurt, Brasil quer consolidar literatura além dos clichês

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A Feira do Livro de Frankfurt acontece entre os dias 8 e 12 de outubro, na Alemanha.
A Feira do Livro de Frankfurt acontece entre os dias 8 e 12 de outubro, na Alemanha. REUTERS/Ralph Orlowski

Depois de ter sido o convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt de 2013, neste ano o Brasil deseja consolidar a posição de um país capaz de produzir literatura universal, além dos estereótipos. É no maior evento literário do mundo que o Brasil realiza 30% das vendas no exterior. A Feira de Frankfurt começa nesta quarta-feira (8) e dura cinco dias.  

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A presença brasileira é reforçada pela poeta Ana Martins Marques e os jornalistas e escritores Edney Silvestre, Bernardo Kucinski e Eduardo Sphor. Em entrevista à RFI Brasil, a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, comenta os desafios desta edição.

A venda dos direitos autorais de autores brasileiros era o foco da Feira de Frankfurt de 2013, quando o Brasil foi o país homenageado. Como a situação evoluiu ao longo deste ano?
É um mercado em que a gente fez um começo bastante importante, mostrando que nós também temos direitos autorais para serem vendidos, sabemos produzir e temos conteúdo. Foi uma grande mudança, neste aspecto. O Brasil passou a ser visto não só como um grande comprador de direitos autorais, mas como um país com um grande potencial de venda de direitos autorais. Ficamos felizes em saber que o mercado aceita isso e em saber que tem cada vez mais interesse nessa diversificação do nosso conteúdo. E quanto a nós, percebo um aprendizado na profissionalização nesse mercado, cada vez mais disposto a entregar o melhor produto. Agora, a gente chega pelo segundo ano em Frankfurt com uma equipe toda treinada e disposta a fazer esse trabalho.

A Feira de Frankfurt é a grande oportunidade do ano para ampliar esse mercado para os livros brasileiros?
Exatamente. É a grande feira onde nós temos todos os tipos de livros envolvidos e onde conseguimos negociar melhor os nossos livros.

Em 2013, o Brasil conseguiu levar 168 editoras para a feira. Neste, serão apenas 41. Por quê?
No ano passado, nós tivemos o patrocínio do governo. Neste ano, nós temos os editores que estão realmente interessados em continuar as suas vendas e mostrar o seu produto.

Como fazer para suscitar o interesse dos leitores além dos clichês sobre o Brasil, como a literatura que fala de natureza, índios ou carnaval?
Esse é o nosso maior desafio: mostrar que o Brasil produz muito além desses estereótipos. Queremos mostrar conteúdo de qualidade, ficção, que seja mundialmente aceito, sem falar somente de Brasil e das nossas características únicas.

Que autores você acha que são mais capazes de vender bem esse novo perfil de literatura brasileira, no exterior?
São os mais contemporâneos que têm se destacado, nesse momento, nas vendas. A CBL procura não falar em nomes específicos para não beneficiar uma ou outra editora. São os mais jovens, que falam sobre aspectos mais do dia a dia e que são interessantes para toda a juventude. Nós queremos mostrar um Brasil que vai além das nossas expectativas e que o país sabe produzir uma literatura que cai no gosto das pessoas e é mundialmente aceita.

A Finlândia é o país homenageado neste ano em Frankfurt. Existe uma relação literária entre os dois países?
Infelizmente eu também não sei muito sobre essa conexão. A gente vai conhecê-la com a abertura do pavilhão.

Na sexta-feira, a Câmara Brasileira do Livro se reúne com as editoras francesas, em preparação ao Salão do Livro de Paris 2015, que vai ser mais um momento importante da literatura brasileira no exterior. O país será o homenageado no ano que vem. Como estão os preparativos?
Agora será o momento de começar a encontrar grandes parceiros, para que se possa vender direitos autorais e mostrar as possibilidades que nós temos. Paris é uma feira totalmente diferente de Frankfurt – não é uma feira de negócios, e sim um evento direcionado ao público consumidor. Mas o Brasil é muito bem aceito na França e a curiosidade sobre a nossa produção é muito grande. Tenho certeza de que nós seremos muito bem recebidos.
 

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