Sumiço de estudantes é novo desafio na luta do México contra narcotráfico

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Estudantes mexicanos protestam contra o desaparecimento de colegas em Guerrero, em 7 de outubro de 2014.
Estudantes mexicanos protestam contra o desaparecimento de colegas em Guerrero, em 7 de outubro de 2014. Reuters/Jorge Dan Lopez

Nesta quarta-feira (8), a população do México sai às ruas para protestar em seis Estados contra o desaparecimento de 43 estudantes em Guerrero, Estado marcado pela violência do narcotráfico, no sul do país. Esta poderia ser a maior chacina desde que o governo do país lançou uma grande ofensiva contra os poderosos cartéis da droga no país.  

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Fernanda Brambilla, correspondente da RFI Brasil no México

No dia 26 de setembro, estudantes do povoado rural de Ayotzinapa, no pequeno município de Iguala, com cerca de 140 mil habitantes, foram atacados por um grupo de narcotraficantes associado a policiais locais. Desde então, não se teve mais notícia deles. Até agora, seis corpos foram encontrados com marcas de tiros, o que deu início a uma investigação por homicídio coletivo. No domingo (5), as autoridades de Guerrero descobriram 28 corpos em fossas clandestinas, o que fomentou a hipótese de que tenham sido executados, ou torturados e mortos. Os exames de DNA só ficarão prontos em 15 dias, mas os primeiros estudos indicam que esses corpos foram queimados com gasolina – não se sabe se quando ainda estavam com vida.

Ofensiva do governo

Uma das grandes críticas da mídia é em relação à demora do presidente Enrique Peña Nieto em se manifestar, o que só ocorreu na segunda-feira (6). Em seu discurso, Peña Nieto se disse profundamente indignado e que os criminosos não ficarão impunes. Já o governador de Guerrero Ángel Aguirre Rivero disse que só renunciará se sua saída for ajudar o caso.

A região de Iguala está tomada pelo Exército, Forças Armadas e Polícia Federal. Ontem (7) foi a vez do departamento de Estado norte-americano pressionar o governo mexicano a agir com rapidez e transparência. Também em Washington, o secretário geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Inzulza, se disse consternado por um crime que, segundo ele, cobre de luto não só os mexicanos, como todos os latinos.

Guerrero, bastião do narcotráfico

Enquanto a polícia mexicana alega que os estudantes teriam tomado três ônibus, depois de atacá-los com pedras, líderes estudantis afirmam que eles costumavam pegar ônibus emprestados para levá-los à escola, que seria uma prática comum na zona rural. Vale lembrar que a escola de Ayotzinapa de normalistas – curso de formação para professores – tem importância histórica. Nos anos 60 e 70, a região formou os principais líderes guerrilheiros da região.

Guerrero é um Estado marcado por conflitos de narcotraficantes. Tem 3,5 milhões de habitantes, a taxa mais alta de homicídios no México e é presença constante nos jornais por conflitos civis.

Nessa região, infelizmente, polícia e cartéis se misturam, e o envolvimento de autoridades com criminosos é visto sem surpresa. Nesse caso específico, já foi comprovada a ligação de policiais com um cartel chamado "Guerreros Unidos", que confessou participação no ataque aos estudantes. Até agora, 22 policiais estão detidos para investigação.

 

 

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