EUA reforçam vigilância, mas tentam conter pânico em relação ao Ebola

Áudio 05:03
Por suspeita de ebola um paciente foi isolado e a Clínica onde estava, próxima a Boston, foi colocada em quarentena.
Por suspeita de ebola um paciente foi isolado e a Clínica onde estava, próxima a Boston, foi colocada em quarentena. REUTERS/Kevin Wiles Jr.

A preocupação da população americana com o Ebola aumentou nas últimas horas com a confirmação de que uma enfermeira do Hospital Presbiteriano do Texas, em Dallas, se tornou a primeira pessoa a se contaminar com o vírus nos EUA. Ela contraiu o Ebola apesar de ter se protegido com toda a parafernália recomendada pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças Infecciosas, o CDC, aumentando o receio de profissionais da saúde em relação à epidemia.

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*De Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

A confirmação do segundo caso de Ebola em Dallas foi feita quatro dias depois da morte, na quarta-feira, de Thomas Eric Duncan, o liberiano de 42 anos que morreu no mesmo hospital mas foi contaminado em seu país de origem.

As suspeitas são a de que a enfermeira, cujo nome não foi revelado, tenha violado pelo menos um dos protocolos de segurança do hospital. Apesar de ter tido contato com Thomas Duncan seguidas vezes em sua segunda passagem pelo hospital, ela não estava na lista dos 48 profissionais, parentes e vizinhos de Duncan monitorados diariamente desde o fim do mês passado pelos médicos do Hospital Presbiteriano. A primeira reação oficial do CDC foi um pedido para que hospitais país prestem atenção redobrada à proteção dos profissionais da saúde em suspeitas de Ebola.

Pela primeira vez também foi discutida a possibilidade de se obrigar hospitais a enviar para centros específicos, com unidades de isolamento total para pacientes com sintomas da febre hemorrágica causada pelo Ebola.

Críticas em relação ao protocolo adotado pelo Hospital de Dallas

Thomas Duncan foi mandado de volta para casa, depois de ter informado que havia chegado dias antes da Libéria, e o diagnóstico inicial foi uma suspeita de sinusite infecciosa. A desconfiança da população é tanta que o CDC anunciou para terça-feira (14) um treinamento nacional, via conferências telefônicas, com trabalhadores da área médica em todos os EUA.

O mais forte sindicato das Enfermeiras americanas protestou neste fim de semana sobre as más condições de trabalho nas casas de saúde do país. O principal diretor do Hospital Presbiteriano, no entanto, garantiu que a enfermeira usava todo o material recomendado pelo CDC- máscara, óculos protetores, capa e luvas especiais.

Estado de saúde da enfermeira contaminada é estável

O presidente dos EUA Barack Obama, que acompanha o caso atentamente, pediu ao CDC no domingo que apresse a investigação sobre as exatas circunstâncias em que a enfermeira contraiu o vírus. A imprensa viu sinais de preocupação na Casa Branca e um receio de que uma epidemia possa de fato ocorrer nos EUA, especialmente por conta da decisão do governo de pedir a agentes federais que fiscalizem hospitais país para se ter certeza de que eles estão seguindo os procedimentos necessários para se prevenir a contaminação.

 Duncan e a enfermeira foram os únicos casos de Ebola cujos sintomas apareceram nos EUA. As notícias mais recentes dão conta de que ela está estável, e em isolamento depois de ter tido febre muito alta. Uma das imagens que mais apareceu na mídia americana foi a de policiais à frente do prédio em que a enfermeira vive.

Há outros seis pacientes em tratamento no país, mas todos receberam seus diagnósticos quando estavam na África Ocidental.

Os EUA estão preparados para uma eventual epidemia?

No sábado, o aeroporto JFK, em Nova York, iniciou uma triagem extra no setor de Imigração, tirando a temperatura e fazendo um questionamento bem específico de passageiros oriundos da Libéria, Guiné, Serra Leoa e Nigéria. Este procedimento será iniciado durante a semana nos aeroportos de Newark, em Nova Jersey, Chicago, Atlanta e na capital Washington, onde chegam 95% dos passageiros oriundos daqueles países, em sua esmagadora maioria através de conexões na Europa.

Duncan, por exemplo, entrou em Washington, via Bruxelas. Especialistas, no entanto, dizem que esta medida é mais voltada para amainar o medo dos americanos do que definitiva na contenção de uma possível epidemia. Duncan, quando entrou em Washington, sequer tinha febre.

De acordo com a Casa Branca, nos últimos dois meses, 36 mil passageiros se submeteram a este mesmo procedimento em aeroportos na África e apenas 77 foram impedidos de voar. Em sua imensa maioria, eles tinham malária e não a febre hemorrágica característica do Ebola. No momento, governos federal e locais batem na tecla de que o importante é conter a epidemia do medo, e deixar claro que as chances de um surto de Ebola nos EUA é mínima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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