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Reportagem

Vídeo de Aécio Neves no WhatsApp surpreende especialistas em redes sociais

Áudio 04:48
O vídeo de 30 segundos de Aécio Neves surpreendeu especialistas e usuários do Whastsapp.
O vídeo de 30 segundos de Aécio Neves surpreendeu especialistas e usuários do Whastsapp. REUTERS/Mal Langsdon
Por: Taíssa Stivanin
9 min

As redes sociais continuam exercendo um papel fundamental na campanha de Aécio Neves (PSDB) e de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno, e a criatividade não tem limites na batalha pelos votos. Na semana passada, o tucano surpreendeu ao divulgar um vídeo de 30 segundos produzido especialmente para o WhatsApp e distribuído para grupos de conversa que utilizam o aplicativo, disponível para usuários de IOS e Android.

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A mensagem do candidato, em tom informal, surge na tela do aplicativo como um pop up - janelas publicitárias que aparecem na tela independentemente da vontade (e dos parâmetros) estabelecidos pelos usuários. Aécio Neves pede que o vídeo, no ar desde o dia 9 de outubro, seja compartilhado entre grupos de amigos no WhatsApp. Comprado pelo Facebook em fevereiro, o aplicativo tem cerca de 45 milhões de usuários ativos no país e ainda é um nicho virtual pouco explorado pelas marcas, o que torna a iniciativa do candidato pioneira em termos estratégicos, segundo especialistas.

Ideologias e escolhas políticas à parte, a ousadia do vídeo surpreendeu quem trabalha no meio. “O vídeo traz toda essa proximidade com o candidato, assim como temos com o William Bonner, que entra todos os dias em casa para desejar boa-noite, algo bem brasileiro. Estamos aqui julgando apenas o uso da ferramenta e a estratégia. Nesse ponto, independentemente da legalidade, eu achei brilhante. Humaniza o candidato e o eleitor se sente parte da campanha”, diz o especialista em planejamento digital Mark Cardoso.

Segundo ele, a utilização do aplicativo como ferramenta de marketing ainda é rara, mas a legalidade da campanha no WhatsApp, diz o especialista, também deve ser questionada. "É um ponto que vale ser pensado. Será que é legal em termos de Justiça Eleitoral alguém “popupar” no meu WhatsApp um vídeo de um candidato me falando alguma coisa? É invasivo", defende.

Para ele, uma das razões do sucesso do WhatsApp no Brasil é a gratuidade do serviço. "Tem um apelo financeiro: o brasileiro pensa: não vou gastar com SMS se tenho a mesma coisa de graça. Isso deu uma bela pulverizada na população. Mas não temos dados mais detalhados sobre o público-alvo, a empresa mantém isso guardado a sete chaves. Apesar disso, não o vejo como uma ferramenta elitizada. Qualquer um que tenha um smartphone, dos mais simples aos mais sofisticados, pode baixá-lo", diz.

Dilma é a campeã de menções no Facebook

O site brasileiro Scup monitora a popularidade dos candidatos nas redes sociais desde o início das eleições. Segundo os últimos dados, Dilma é a candidata mais citada no Facebook (857.154) , enquanto Aécio Neves é mais popular no Twitter, onde concentra 1.432.178 das citações. Vale lembrar, entretanto, que os comentários não são necessariamente positivos. "Tem candidato que utiliza esses dados mas, quando você vai analisar as mensagens, elas são negativas. O candidato é 'zoado', 'rechaçado', ou até vira piada. É uma máxima do marketing: as pessoas se reúnem mais para falar mal do que para falar bem", explica Mark Cardoso.

O especialista também lembra da utilização dos robôs, falsos perfis automáticos criados para disseminar mensagens que possam prejudicar o concorrente. "No primeiro turno ficou comprovado que Aécio Neves lançou m ão dessa tática no fim do primeiro turno, que consiste em contratar agências que realizam o serviço em grande escala. Tem um gráfico que mostra uma curva ascendente de menções negativas da Dilma por meio de supostos populares em redes sociais que especialistas apontam como sendo o uso de robôs", conclui.
 

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