Discussões sobre campanha eleitoral nas redes sociais abalam amizades

Áudio 05:02
Cartaz da campanha do Minitério da Justiça durante a Campanha Eleitoral.
Cartaz da campanha do Minitério da Justiça durante a Campanha Eleitoral. justiçagov.br

A reta final para o segundo turno da eleição presidencial tem acirrado os ânimos nas redes sociais e também fora delas. A preocupação com uma verdadeira “campanha de ódio” é tanta que o Ministério da Justiça tenta, desde o começo deste mês, conscientizar os internautas para a necessidade de se manter o respeito mútuo e a cordialidade, sobretudo com quem não partilha a sua opinião nas urnas.

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 Ilustrações bem-humoradas, citação de reportagens, de fotos, gráficos e, muitas vezes, até insultos. Esse é o panorama das redes sociais às vésperas da escolha do próximo presidente do Brasil. Esse comportamento maniqueísta, praticamente uma luta do bem contra o mal, tem assustado muitos eleitores que defendem a liberdade de expressão.

Para o professor carioca André Machado, os eleitores se comportam de maneiras diferentes na vida real e na vida “virtual”. “Tenho sentido muito respeito na relação fora das redes sociais, mas, nas redes sociais, acho que as pessoas se escondem mais. Elas falam sem medo de serem repreendidas e isso tem sido um problema”, avalia. “Para evitar confusão”, o professor optou por bloquear os “posts raivosos” e se manter mais neutro na campanha do segundo turno. Ele também confessa que já deixou de seguir dois amigos que se mostravam “cegos e irracionais” nas discussões políticas.

Eleitor declarado de Aécio Neves (PSDB), o advogado paulista Guilherme Barranco diz que não foi agredido virtualmente pela sua escolha, mas sabe que é, praticamente, uma exceção. “Realmente tenho visto uma campanha bastante agressiva. Mas, entre meus amigos, tenho a sorte de ter pessoas que são democráticas e que respeitam a cordialidade”, afirmou.

Desafetos virtuais são bloqueados

A jornalista baiana Paloma Varón, que mora na Eslovênia, também tem notado um clima de ódio que se manifesta, principalmente nas redes sociais, refletindo uma grande polarização entre aqueles que defendem a presidente Dilma Rousseff e PT e os que criticam o partido no poder e o governo. “Quando vejo posts que me agridem -tem acontecido muito no Brasil o preconceito contra nordestinos, afirmando que eles não sabem vota, que votam com o estômago ou que não têm informação –, eu deixo de seguir essas pessoas”, afirmou.

Já a produtora cultural Daniella Borges tem enfrentado muitos problemas por causa da sua decisão de votar na presidente Dilma Rousseff, inclusive dentro da sua própria família. “Não sou petista, mas voto na Dilma, porque reconheço que o Brasil melhorou muito nesses 12 anos, mas a minha família pensa diferente. Briguei feio com a minha irmã pelo Whatsapp. Vários amigos também me bloquearam”, contou.

A antropóloga e professora da Unicamp Artionka Capiberibe vê, nesse clima de raiva um mal-estar social muito mais profundo. “Isso é uma guerra de classes sociais. Isso eclodia, de vez em quando, durante o governo. Quando vieram os médicos cubanos para o programa Mais Médicos, isso apareceu mais claramente. No Brasil, a medicina é entendida como algo feito por ricos e para quem pode pagar. A sobra fica com os pobres”.

 Em defesa do respeito mútuo

 Para estimular um debate cordial entre internautas, o MInistério da Justiça emitiu uma nota:  "Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões e ideias. Entretanto, o exercício dessa liberdade não deve afrontar o direito alheio, como a honra e a dignidade de uma pessoa ou determinado grupo. O discurso do ódio é uma manifestação preconceituosa contra minorias étnicas, sociais, religiosas e culturais, que gera conflitos com outros valores assegurados pela Constituição, como a dignidade da pessoa humana. O nosso limite é respeitar o direito do outro."

 
 

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