Europeus, Putin e Porochenko enfrentam nova queda de braço em torno do gás

Áudio 04:08
A Cúpula Ásia-Europa acontece em Milão, na Itália, nos dias 16 e 17 deste mês.
A Cúpula Ásia-Europa acontece em Milão, na Itália, nos dias 16 e 17 deste mês.

Começa hoje em Milão a 10ª Reunião de Cúpula da ASEM (Asia-Europe Meeting). O evento dura dois dias e reúne 20 países asiáticos, 29 países europeus e representantes da União Europeia. O objetivo é fortalecer as relações entre Ásia e Europa em questões políticas, econômicas e culturais por meio do diálogo e da cooperação.

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Gina Marques, correspondente da RFI na Itália

Esta é uma reunião entre dois continentes gigantescos, com a participação de grandes países asiáticos como China e Índia, além de emergentes como Vietnã e Tailândia. As duas regiões representam 70% do comércio mundial. Mas a atenção internacional está voltada para o encontro de amanhã entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Petro Poroshenko, por causa das consequências econômicas do conflito ucraniano.

Putin e Porochenko não vão se encontrar sozinhos. Estarão presentes outros líderes europeus, como a chanceler alemã, Angela Merkel; o presidente francês, François Hollande; o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron; o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy; o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, além do primeiro-ministro italiano? Matteo Renzi. 

Este será o terceiro encontro entre Putin e Porochenko, após o da França e da Belarus, e acontecerá poucos dias depois que Moscou ordenou a retirada progressiva das tropas russas nas proximidades da fronteira ucraniana. A União Europeia insiste na importância de que a Rússia também retire equipamentos e armas do território ucraniano e respeite o cessar-fogo.

A arma do gás

A grande disputa é sobre o abastecimento de gás natural. Anteontem, um comunicado do Kremlin disse que os presidentes da Ucrânia e da Rússia haviam conversado por telefone e discutiram medidas para restaurar a paz no leste da Ucrânia. Esta reunião pode ser um sinal encorajador para Moscou e Kiev e também para o Ocidente, em vista de um embate sobre a decisão da Rússia de cortar o abastecimento de gás para a Ucrânia por causa das dívidas pendentes.

Na Europa, o inverno está chegando. Se nenhum acordo for alcançado, a Ucrânia vai enfrentar uma possível falta de energia, o que pode levar também à interrupção do abastecimento de gás para a Europa, como aconteceu em 2006 e 2009. A Europa recebe um terço de sua demanda de gás da Rússia, e metade disso vem de gasodutos que passam pela Ucrânia.

A Gazprom, produtora russa de gás natural, cortou o fornecimento para a Ucrânia em junho, após Kiev não ter pago dívidas que, segundo a Rússia, agora somam mais de € 4 bilhões, cerca de R$ 12 bilhões. No entanto, além do encontro entre os presidentes Putin e Porochenko, as atenções desta reunião estão principalmente voltadas para os efeitos das sanções à Rússia na economia europeia.

Sanções europeias à Rússia provocam prejuízo

Segundo especialistas , ainda é difícil saber exatamente quanto será o prejuízo para as empresas europeias por causa das sanções aplicadas contra Rússia. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, declarou que, até o final de 2015, a Europa poderá perder € 90 bilhões, cerca de R$ 270 bilhões. As sanções acabam afetando a exportação das empresas europeias e podem agravar o desemprego no bloco. Para a Europa, mais do que geopolítica, a preocupação é econômica.

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