Ebola: o vírus que dá medo na Europa

Hospital de Madri especializado no atendimento de casos de ebola.
Hospital de Madri especializado no atendimento de casos de ebola. REUTERS/Sergio Perez

A mobilização planetária contra o ebola está nas capas dos jornais franceses desta sexta-feira (17). "O vírus que dá medo na Europa", diz a manchete do Libération, chamando a atenção para a contaminação dos profissionais da saúde e de ongs europeias que estão na linha de frente do combate à doença. A atual epidemia do ebola revela as falhas no sistema sanitário dos países avançados, escreve o Libération.

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Durante muito tempo confinado às florestas da África, o ebola chegou às capitais do continente e hoje ameaça o mundo de uma catástrofe maior, afirma o Libération. O jornal compara o ebola à peste bubônica, que assolou a Europa durante a Idade Média. O foco da doença partiu da África e da Índia dizimando um terço da população europeia da época, cerca de 75 milhões de pessoas. Em seu editorial, o jornal de esquerda diz que ajudar os africanos a conter o ebola é uma questão ética e de solidariedade "mínima" no mundo globalizado.

O diário popular Aujourd'hui en France afirma que, tanto na Espanha quanto nos Estados Unidos, onde enfermeiras que atenderam pacientes com o ebola se infectaram, profissionais da saúde questionam as falhas nos dispositivos de proteção.

Desde março, 427 médicos e enfermeiros contraíram o ebola no mundo; 236 morreram. Trata-se de um vírus muito perigoso, que consegue resistir às medidas de prevenção e se propagar rapidamente, lamenta o Aujourd'hui en France.

Controle insuficiente nos aeroportos

O jornal Le Figaro diz que os controles realizados nos aeroportos, principal arma de europeus e americanos para restringir a entrada do ebola, são "imperfeitos".

Segundo o Le Figaro, controlar a temperatura dos passageiros, seja nos aeroportos da África ou da Europa e dos Estados Unidos, é insuficiente porque o período de incubação da doença é longo, de 2 a 21 dias. Submeter os passageiros a um questionário, como será feito na França a partir de amanhã, nos voos vindos da Guiné, um dos países mais afetados pela doença, também não dá garantias de controle satisfatórias. As pessoas podem mentir nas respostas, como aconteceu com o liberiano Thomas Duncan, nos Estados Unidos.

A França recebe milhares de passageiros vindos de outros países da África além da Guiné. As pessoas vão de uma capital à outra, fazem escalas, trocam de avião. Controlar a temperatura dos passageiros de sete voos semanais vindos da capital guineana parece pouco para muitos especialistas, explica o Le Figaro.
 

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