Em Paris, maior feira do mundo SIAL mostra ‘alimentos do futuro’

Áudio 05:16
Maior feira de alimentação do mundo se encerra na quinta-feira.
Maior feira de alimentação do mundo se encerra na quinta-feira. Divulgação Sial

Depois da moda de fazer alimentos como pães e iogurtes em casa, agora a tendência é produzir os ingredientes no próprio jardim. A 50ª edição da Sial, a maior feira de alimentação do mundo, começou no domingo nos arredores de Paris e apresenta as últimas novidades para facilitar a vida dos consumidores.

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Para comemorar o aniversário, neste ano a Sial tem um recorde de mais de 6,3 mil expositores de 105 países. Entre os 400 mil produtos ou equipamentos apresentados, 80% trazem alguma inovação, como churros de batata, espaguete de algas e vinagre em forma de pastilhas.

O Brasil, um dos maiores exportadores de commodities do mundo, está levando 85 expositores, com destaque para a carne, o café, o suco de laranja, o açúcar e a soja. Rafael Prado, gerente-executivo de Imagem e Acesso a Mercados da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), espera que o evento resulte em US$ 1 bilhão em negócios.

“É a principal feira mundial de alimentos e a nossa participação vem crescendo a cada ano – desta vez estaremos com quase 3 mil metros quadrados. É um momento em que trabalhamos muito perto das empresas, até para termos certeza de estarmos levando os produtos e empresas adequadas para o mercado”, afirma. “Temos um programa de segmentação que avalia o tipo de produto, o material promocional, a expertise da empresa em relação à exportação. Depois dessa triagem, chegamos ao número de 85 empresas neste ano, que acreditamos estar mais aptas a fazer uma boa performance na feira.”

Brasil além dos clichês

A Sial vai ser mais uma oportunidade para a Apex fortalecer a campanha Brazil Beyond, que apresenta produtos brasileiros além dos clichês. A iniciativa começou neste ano e inclui diversas áreas em que o país pode diversificar as exportações, desde produtos alimentares até tecnologia.

“Seria prematuro falar o quanto se está vendendo a mais graças ao Brazil Beyond. Mas temos recebido críticas positivas. Trabalhamos com esse conceito durante a Copa do Mundo, na Feira do Livro de Frankfurt, e agora na Sial”, explica. “Nós levamos um espaço de ‘experiência Brasil’. No nosso stand, além de provar alimentos, o consumidor vai poder sentir o aroma dos nossos laranjais, do açaí, do pão de queijo.”

Cachaça orgânica

Entre os expositores brasileiros, vários apresentam novidades marcadas pela sustentabilidade, como a cachaça orgânica Weber Haus. O produto aproveita 100% da cana de açúcar e começa a fazer sucesso na Alemanha, onde uma caipirinha orgânica chega a custar o dobro do preço de uma comum, segundo o diretor Evandro Haus.

“Essa é a nossa quarta Sial e com a qual temos mais expectativas, porque temos muitas reuniões marcadas com outros países. Hoje, os Estados Unidos são o nosso maior importador, além do Canadá. A nossa meta de exportação é ter 5% a mais de negócios neste ano, chegando a 40% do total”, avalia. “A França é um mercado promissor. Os franceses estão começando a descobrir a cachaça boa. A Alemanha, que consome cachaça ruim desde 1967, agora está descobrindo que há cachaças diferenciadas. A China e o Japão também estão descobrindo a bebida.”

Água do mar em garrafa

Outro produto made in Brazil é a água do mar refinada “63 Water”. A água marinha é purificada e preserva 63 minerais do oceano que são importantes para a saúde, garante o diretor Sílvio Paixão.

“A gente coleta a água a 10 quilômetros de distância da costa e abaixo de 30 metros de profundidade, no Estado de São Paulo, para termos a condição de água mais apropriada para realizar o processamento depois. Essa água passa por limpeza, filtragem e é preparada para o refino, na última fase, quando ela adquire leveza e um delicado sabor”, detalha. “As pessoas tendem a achar que a água não tem sabor, mas ela tem, tanto que na França existe até bar de águas. E a nossa água tem uma riqueza de minerais que a maioria das águas não oferece, além de ter um paladar com textura, que preenche a boca.”

No passado, foi na Sial que surgiram produtos hoje comuns, como as saladas lavadas e embaladas e o azeite de oliva em forma de spray. No concurso de inovação desta edição, o Brasil vai estar representado com o açaí cremoso Bazzar.
 

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