Fiac de Paris reflete recorde de vendas de arte e liderança chinesa no mercado

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Grand Palais de Paris recebe 191 galeristas de 26 países
Grand Palais de Paris recebe 191 galeristas de 26 países Gabriel Brust/RFI

Nunca se comprou e vendeu tanta arte no mundo. O biênio 2013/2014 marcou um recorde histórico, ultrapassando pela primeira vez a marca dos US$ 2 bilhões negociados. Um dos responsáveis por esse boom é a China que, depois de 60 anos de supremacia dos Estados Unidos, se tornou o líder mundial entre os maiores negociadores de arte. A Feira Internacional de Arte Contemporânea de Paris, a Fiac, que será aberta ao público nesta quinta-feira (23), já começa a refletir essa mudança histórica no mercado.

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O número de colecionadores chineses esperados para esta edição da feira é oito vezes maior do que há apenas 15 anos. Apesar de estarem entre os principais compradores do mundo, os chineses são poucos entre os vendedores na Fiac. Apenas duas galerias do gigante asiático estão em Paris para o evento.

O suíço Lorenz Helbling é o proprietário de uma delas, a ShangART, estabelecida em Xangai há 20 anos, representando apenas novos nomes da arte asiática, como Xiaoyun Chen. “Até pouco tempo atrás, a vida era bastante difícil para os artistas chineses, porque eles não eram aceitos nem na China, nem fora dela. Ultimamente está melhor, temos museus, temos colecionadores”, relata o galerista.

Para Helbling, a efervescência do mercado chinês é fruto de uma geração de artistas acima da média: “A arte chinesa é feita por jovens sensíveis, que vivem em um mundo relativamente novo e internacional. Eles tentam encontrar imagens para responder à questão de como viver em um mundo global. Não são isolados, estão expostos ao mundo.”

A Fiac é uma das paradas obrigatórias do circuito internacional para galerias e colecionadores, e chega a sua 41ª edição reunindo 191 galeristas de 26 países, vendendo obras de mais de 1,4 mil artistas.

Quatro galerias brasileiras

Se por um lado os chineses são hoje os maiores compradores do mundo, a maioria das galerias da Fiac deste ano é francesa, e a maioria dos artistas, norte-americanos. O Brasil está representado por quatro galerias de São Paulo: Raquel Arnaud, Luciana Brito, Fortes Vilaça e Mendes Wood.

Para Luciana Brito, que trouxe para a Fiac obras de Geraldo de Barros e Regina Silveira, a euforia internacional do mercado de arte contemporânea também é sentido pelas galerias brasileiras: “As galerias estão não só na Fiac, mas também em outras feiras, como Frieze, Armory e Basel. Os brasileiros estão chamando a atenção e estão super inseridos no circuito internacional”.

Raquel Arnaud, que vende na Fiac desde 1999, tem o maior estande brasileiro no evento, com nove artistas. Ela afirma que o evento funciona não apenas para fazer contatos e mostrar os artista, mas também para comprar e vender. “Os brasileiros no estrangeiro estão fazendo mais sucesso, sendo reconhecidos e procurados”, afirma a galerista.

Quem quiser sair da Fiac com uma obra de artista brasileiro, terá de desembolsar valores que vão de US$ 16 mil a US$ 650 mil.

Americanos são os mais caros

Dados da consultoria francesa Artprice mostram que o mercado de arte contemporânea se multiplicou por cinco em apenas 10 anos. No longo prazo, o crescimento também é significativo, com compradores de arte saltando de 500 mil nos anos 50 para 70 milhões atualmente.

Os artistas norte-americanos Jean-Michel Basquiat, Jeff Koons e Christopher Wool continuam sendo os mais valorizados do mercado. Jeff Koons, que ganhará uma exposição no Centro Pompidou a partir de novembro, detém o recorde de obra de arte mais cara de um artista vivo: o seu Balloon Dog foi vendido no ano passado em Nova York por 58 milhões de dólares. O Top 10 dos artistas mais caros da atualidade ainda inclui quatro artistas chineses.

A Fiac se estende até o próximo domingo (26) espalhada pelo Grand Palais, Jardim das Tulherias, entre outros lugares da capital francesa.

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