Resultado de eleição no Brasil pode influir na presidencial do Uruguai

Áudio 05:23
Candidato da direita, Luis Lacalle Pou (à esq.) vai tentar vencer o esquerdista Tabaré Vázquez.
Candidato da direita, Luis Lacalle Pou (à esq.) vai tentar vencer o esquerdista Tabaré Vázquez. Montagem: REUTERS/Federico Gutierrez e Andres Stapff

No próximo domingo (26), além do segundo turno no Brasil, o Uruguai também vota no primeiro turno da eleição presidencial e legislativa. A semelhança entre os cenários eleitorais de Brasil e Uruguai é chamativa e por isso  os uruguaios vão às urnas com os olhos atentos ao resultado da eleição no Brasil.  

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Márcio Resende, correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires

A definição do próximo presidente brasileiro pode ter influência durante um segundo turno das eleições uruguaias.
A disputa no Uruguai também é acirrada e um resultado eleitoral a favor da oposição pode ter impacto significativo no Mercosul.

Cenários semelhantes

As eleições uruguaias também são as mais disputadas dos últimos 20 anos e, assim como no Brasil, existe uma chance concreta de a oposição de centro-direita voltar ao poder.

O cenário deste primeiro turno das eleições no Uruguai é muito parecido com o do primeiro turno das eleições brasileiras e, num segundo turno, as eleições no Uruguai também devem ser marcadas por uma polarização com empate técnico entre os candidatos.

Outra semelhança é a visão de política exterior e de política comercial da oposição bastante parecida com a visão da oposição brasileira.

No Uruguai, a direita encontrou em Luis Lacalle Pou o candidato capaz de derrotar a Frente Ampla de esquerda que, nos últimos dez anos, levou ao poder o ex-presidente Tabaré Vázquez e o atual presidente José Mujica.
Como no Uruguai não existe reeleição, agora Tabaré Vázquez quer voltar para um novo mandato com uma campanha baseada no que ele fez quando foi presidente e na continuidade das atuais políticas.

Do outro lado, Luis Lacalle Pou do Partido Nacional. E Aqui temos outra curiosidade com o Brasil: a questão do parentesco. Aécio Neves, candidato da oposição no Brasil, é neto de Tancredo Neves. Lacalle Pou é filho do ex-presidente Luis Lacalle, representante do neoliberalismo dos anos 90. Assim como Aécio Neves, Lacalle Pou é considerado jovem, com 41 anos, e com um discurso positivo de "melhorar o que foi feito e fazer o que ainda falta".

Pesquisas de intenção de voto

Assim como no primeiro turno no Brasil, são três os candidatos que concentram as intenções de votos.

Tabaré Vázquez, da Frente Ampla e da continuidade, tem entre 41 e 44% das intenções. Lacalle Pou, pelo opositor Partido Nacional, tem entre 28 e 32%. E Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, também opositor, tem 15%.

Ou seja: o segundo turno está assegurado no Uruguai e o mais provável é que os dois candidatos de oposição se unam, levando a disputa a um cabeça a cabeça com resultado aberto muito parecido com o cenário eleitoral brasileiro.

A consultoria Factum, por exemplo, já projeta o cenário de segundo turno com 48% para Tabaré Vázquez e com 47% para Lacalle Pou.

Reflexo da escolha dos brasileiros na votação do Uruguai

As eleições no Brasil são paradigmáticas para toda a região, especialmente se houver uma mudança de signo político com um novo rumo. Pelo tamanho da economia brasileira, pelo seu peso internacional e pela influência político-econômica que exerce na região, os analistas coincidem em afirmar que o resultado das eleições no Brasil, seja qual for, pode influenciar as eleições no Uruguai de forma imediata, beneficiando Tabaré Vázquez se a aliada Dilma Rousseff continuar, ou beneficiando a oposição de Lacalle Pou se Aécio Neves for eleito.
O segundo turno no Uruguai será no dia 30 de novembro, tempo suficiente para o processo brasileiro ter projeção sobre o uruguaio.

Política Externa e Política Comercial da oposição

A visão de política externa e comercial do Uruguai no atual governo é bastante parecida com a atual do Brasil. Prioridade para a integração regional, mesmo que isso implique "complacência" ou "paciência estratégica" dentro de um Mercosul paralisado.

Se hoje o Mercosul funciona por consenso e só pode fechar acordos com outros países ou blocos se todos os seus integrantes quiserem, uma flexibilização do Mercosul permitiria acordos somente com os membros interessados. Para essa margem de manobra, o Mercosul deveria deixar de ser a atual União Aduaneira e voltar ao patamar de Zona de Livre Comércio.

Hoje, Argentina e Venezuela não se interessam por acordos comerciais que impliquem abertura dos seus mercados. Brasil, Uruguai e Paraguai têm outra visão, mas estão impedidos de avançar sem Argentina e Venezuela.

Com a chegada da oposição tanto no Brasil quanto no Uruguai o atual modelo do Mercosul seria questionado já não pelos empresários desses países, mas também pelos próprios governos.

 

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