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Barack Obama pode sofrer derrota antes da hora

Barack Obama fez campanha para evitar um bloqueio sistemático de suas reformas no Congresso.
Barack Obama fez campanha para evitar um bloqueio sistemático de suas reformas no Congresso. REUTERS/Jonathan Ernst
Texto por: Adriana Moysés
2 min

Os jornais franceses desta terça-feira (4) destacam em suas manchetes a eleição de meio mandato nos Estados Unidos. As pesquisas apontam uma virada no Senado, com vitória dos republicanos e derrota da maioria democrata. Se esse cenário se confirmar, a oposição reinará nas duas Casas, e Barack Obama poderá enfrentar um bloqueio legislativo até o final de seu governo.

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O jornal Libération considera que uma derrota de Obama a meio mandato não representará, obrigatoriamente, uma vitória dos republicanos na eleição presidencial de 2016. Ronald Reagan e Bill Clinton sofreram a mesma sanção nas urnas, lembra o diário. O que diferencia essa votação, segundo Libération, é que pela primeira vez em muitos anos de política americana, a situação da economia não vai determinar o voto.

O governo democrata tem um bom balanço econômico. A hostilidade do eleitorado se manifesta em relação à personalidade do presidente: "negro, liberal, urbano, Barack Obama representa tudo o que uma parte do país mais detesta", escreve Libération.

Obama é contestado por sua falta de liderança nas crises internacionais, na gestão do ebola e por sua ação tardia contra o grupo Estado Islâmico no Iraque. Somando-se a isso, a desmobilização dos eleitores negros, hispânicos e jovens, a base do eleitorado de Obama, as chances do presidente ficam comprometidas.

Le Figaro evoca a impopularidade de Obama

Le Figaro diz que só uma forte mobilização da base do eleitorado poderia salvar o presidente de uma derrota no Senado. Mas é pouco provável. Com 42% de aprovação, Obama é o presidente mais impopular da história americana, destaca o diário conservador. Ele gastou muita energia para implantar o Obamacare, o sistema universal de saúde, e acabou enfraquecendo a imagem dos Estados Unidos no exterior, com as hesitações na Síria e no conflito entre Israel e Palestina. O surgimento do grupo Estado Islâmico foi a gota d'água.

Americanos insatisfeitos com o Congresso

O jornal econômico Les Echos comenta o descontentamento dos americanos em relação ao Congresso atual. Les Echos entrevista Jeffrey Pollock, do Global Strategy Group. O analista conta que apenas 12% dos americanos aprovam a ação dos congressistas. "A maioria da população tem a impressão de que nada mais é decidido em Washington", diz ele. Os eleitores apreciam a ação dos líderes locais, mas desaprovam os congressistas, resume o pesquisador.

Para o analista, Obama deve se sentir frustrado pelo fato de os eleitores não repercutirem nas urnas a melhora da economia. Mas segundo ele, isso é normal porque "a opinião pública sempre evolui com meses de atraso em relação à realidade".

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