Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

Carreata pelos estudantes desaparecidos deve chegar à Cidade do México na quinta-feira

Áudio 05:20
Manifestantes voltaram a se reunir neste domingo na Cidade do México.
Manifestantes voltaram a se reunir neste domingo na Cidade do México. REUTERS/Bernardo Montoya
10 min

O México inicia a semana com promessas de mais protestos, depois que as investigações sobre os 43 desaparecidos chegaram a um impasse. Os pais dos estudantes de Ayotzinapa se dividiram em três grupos e saíram do Estado de Guerrero em uma carreata pelo país. Em cada Estado, fazem protestos para mobilizar a sociedade civil. Os ônibus chegarão à Cidade do México na quinta-feira (20) e uma nova grande manifestação está marcada para esse dia.

Publicidade

Da correspondente da RFI no México, Fernanda Brambilla.

Justamente quando os ânimos estavam se acalmando, após dias de protestos intensos, um novo caso reascendeu a revolta contra o governo: no sábado, houve um tumulto no campus da UNAM, a Universidade Nacional Autônoma do México, a maior instituição de ensino do país, e um estudante foi baleado por um policial.

A UNAM, como o próprio nome diz, é autônoma, ou seja, a polícia não tem autorização para atuar em suas dependências, e o caso está sendo noticiado como outro exemplo de abuso de força estatal. Já se fala em greve geral. Esse será mais um problema com que o presidente Enrique Peña Nieto terá de lidar nessa semana ao retornar da Ásia.

Férias frustradas em Acapulco

Esse foi um fim de semana muito atípico, porque o México teve o seu “buen fín”, que é a versão Mexicana da Black Friday Americana, em que descontos e promoções atraem milhares às compras, e a economia ganha uma aquecida para o fim de ano. Mas uma forte onda de boicotes se espalhou por diversos Estados.

Esta segunda-feira (17) é feriado nacional, um feriado prolongado que corresponde ao dia 20 de novembro, Dia da Revolução Mexicana. A ideia foi prolongar o fim de semana para fomentar viagens, mas um dos principais destinos turísticos é justamente Acapulco, que fica em Guerrero, mesmo Estado de Ayotzinapa. O aeroporto de Acapulco foi tomado por manifestantes, as estradas que levam à cidade, fechadas por protestos, e a ocupação nos hotéis mal chega a 30%. Definitivamente, não há muito clima para ir à praia.

E por lá, um juiz federal confirmou a condenação do prefeito do município de Iguala, Jose Luis Abarca, onde se situa Ayotzinapa, pelos crimes de sequestro, delinquencia organizada e homicídio. Vale lembrar que partiu de Abarca a ordem de executar os 43 estudantes, no dia 26 de setembro.

Imagem internacional de Peña Nieto é afetada

Enrique Peña Nieto mal desembarcou na Cidade do México, na noite de sábado, e já fez um pronunciamento à nação do hangar presidencial. Ele surpreendeu pelo discurso linha-dura. Não só condenou os atos de violência na capital, como fez uma ameaça: disse que seu governo tem como princípio resolver conflitos na base do diálogo, mas que o Estado tem legitimidade para usar a força se for preciso. Para o presidente, o caso de Ayotzinapa ofuscou as reformas políticas recém implementadas em seu governo e ele perdeu a chance de ser exaltado pelo progressismo. Acabou execrado por organizações de direitos humanos.

Durante a cúpula do G20, Peña Nieto também foi alvo de protestos no exterior, não apenas na Austrália, onde pediram sua renúncia, mas também na Europa. Em Berlim, na Alemanha, a Anistia Internacional coordenou, no Portão de Bradenburgo, um ato contra a tortura no México. De acordo com a Comissão Nacional Mexicana de Direitos Humanos, houve 1505 casos de tortura no último ano.

Investigação chegou a um impasse

As investigações sobre os 43 desaparecidos em Ayotzinapa parecem estar de volta ao ponto de partida. Na semana passada, um dos líderes do grupo criminoso Guerreros Unidos, do Estado de Guerrero, reivindicou o assassinato dos estudantes à Procuradoria Geral da República. E não só isso, deu detalhes de como eles teriam torturado, executado, queimado os corpos em uma enorme fogueira junto com pneus e madeira e, por fim, jogado os restos em um rio a alguns quilômetros do local.

A própria Procuradoria admitia que a história era a mais provável. Mas os investigadores forenses que estão na área do crime contestaram com veemência essa versão: nos dias próximos a 26 de setembro, houve fortes chuvas em Iguala, então seria impossível que uma fogueira queimasse por horas. Além disso, não foram encontrados vestígios de materiais queimados ou rastro de gasolina ou diesel.  

Quem também se manifestou foi a ONU. Ariel Dulitzky, chefe do Grupo de Trabalho sobre Desaparições Forçadas da ONU, visitou o México e disse que a instituição já vinha alertando o governo desde 2011 sobre um padrão crônico de impunidade. Segundo a ONU, o Estado mexicano está completamente despreparado.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.