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Economia japonesa patina e gera desconfiança sobre “Abenomics”

Áudio 05:07
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. REUTERS/Toru Hanai

A terceira economia mundial, a japonesa, está patinando. Depois da euforia do “Abenomics”, pacote de políticas econômicas do primeiro-ministro Shinzo Abe para acordar a morosa economia nipônica, o Japão está em recessão novamente, mandando sinais de alerta para todo o mundo.

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Após um curto e turbulento período no cargo entre 2006 e 2007, marcado por escândalos no governo,  Abe voltou ao posto de primeiro-ministro em 2013, apostando na retomada do crescimento com um conjunto de estímulos monetários, afrouxamento da política fiscal e reformas. Um caminho inverso à da estratégia de austeridade da União Europeia.

“Fala-se muito nas questões concretas, como os investimentos públicos, mas é preciso lembrar que Abe mostrou disposição de promover mudanças e quebrar uma inércia que dominava a economia japonesa naquele momento”, diz Alexandre Uehara, especialista em relações internacionais na Ásia e diretor acadêmico das Faculdades Integradas Rio Branco, em São Paulo.

“Ele quis sacudir a poeira do que teria sempre sido uma gestão muito macroeconomicamente ortodoxa por parte das autoridades econômicas do Japão”, lembra Marcos Troyjo é diretor do BRICLab, da Universidade Columbia, em Nova York.

Os resultados a princípio foram positivos. “O consumo foi puxado para cima, ou seja, houve uma resposta do ponto de vista da demanda, além de impactos importantes em relação à desvalorização da moeda japonesa ante as principais divisas do mundo, o que estimulou o aumento considerável das exportações no período”, cita Troyjo. “Mas 2014 tem sido decepcionante, pois não se observa o aumento do estoque de investimentos que pudesse sustentar o crescimento japonês também do ponto de vista da oferta”, completa.

Carteira guardada

O aumento dos impostos sobre vendas em abril fez o consumidor japonês guardar a carteira no bolso. Para Alexandre Uehara, o governo nipônico, preocupado desde o início em reduzir a dívida pública, impôs o aumento da taxa de consumo antes que a economia alcançasse uma dinâmica de crescimento sustentável.

Para garantir apoio para sua política econômica e prevendo outras medidas impopulares pela frente, como a reativação dos reatores nucleares da usina de Fukushima, Abe decidiu antecipar eleições para a câmara baixa do Parlamento. A princípio, o pleito só aconteceria no final de 2016. Ele também está preocupado em aumentar seu índice de aprovação, hoje abaixo de 50%. A votação deve acontecer em meados de dezembro.

Segundo alguns críticos, a “Abenomics” beneficiou grandes empresas e moradores ricos de grandes aglomerados ao enfraquecer o iene e fortalecer o mercado de ações. No entanto, os cidadãos comuns foram prejudicados pela inflação, que atropelou os aumentos de salários.
 

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