Queda do preço do petróleo compromete esforços para transição energética

Poço de petróleo no Golfo do México.
Poço de petróleo no Golfo do México. AFP/Alfredo Estrella

A edição do final de semana do jornalfrancês Libération traz uma ampla reportagem para explicar a queda de 30% do preço do barril nos últimos meses e suas consequências para os esforços de desenvolvimento das energias alternativas. Segundo o jornal, a morosidade econômica mundial e o surgimento de novos atores no mercado explicam apenas em parte a redução do preço do barril.

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Em 2008, lembra Libération, o barril chegou a U$144,27, época em que o planeta esteve diante de um "terceiro choque petrolífero". Depois de três anos com o preço estabilizado em torno de U$110, o barril de petróleo bruto entrou numa espiral de queda e está sendo cotado a U$75.

"A pressão para queda dos preços pode se acentuar durante o primeiro semestre de 2015", estimou uma fonte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), citada pelo jornal.

O "apetite" da economia chinesa diminuiu, resultando em menos consumo do produto, e outros países emergentes que puxaram o preço do barril para cima entre 2004 e 2014, como Brasil, Índia e Rússia, agora flertam com a recessão, escreve Libération.

Outro fator citado pelo jornal para explicar a queda no preço é a entrada em cena do petróleo de xisto explorado pelos Estados Unidos, que de importador passou a exportar o ouro negro. "Ninguém previu que os Estados Unidos, mesmo temporiamente, iria liderar a produção através do chamado petróleo não-convencional", observou um especialista, em entrevista ao Libé.

Impacto negativo em economias dependentes

Analisando o impacto em grandes países produtores de petróleo, Libération relata que muitas economias dependentes dessa fonte energética fóssil já sofrem com a situação do mercado.

Na Venezuela, por exemplo, a queda do preço do produto agrava a recessão e obriga o governo a criar novos impostos. Na Rússia, o governo projetou seu crescimento contando com o preço do barril em torno de U$100. Diante da situação, os russos voltam a evocar um eventual complô liderado pelos Estados Unidos para enfraquecer o poder de Moscou, atingindo um importante segmento da economia do país.

Libération mostra também a preocupação de muitas ONGS e de especialistas sobre a repercussão negativa para os esforços de promoção das energia alternativas. Eles argumentam que o preço do petróleo em baixa pode fazer as pressões para uma transição energética diminuir.

A coordenadora de uma ONG do setor estima que pode haver um freio nos investimentos em energias renováveis, que passam a ser menos rentáveis. O jornal também questiona se a atual cotação do petróleo fará os líderes mundiais deixarem de lado os alertas constantes de que é preciso mudar as fontes energéticas para limitar os estragos que vêm sendo produzidos pelo efeito estufa e pelas mudanças climáticas do planeta.
 

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