EUA/Racismo

Ferguson: policial que matou jovem negro Michael Brown pede demissão

Darren Wilson, o policial que matou Michael Brown, pediu demissão neste domingo, 30 de novembro de 2014.
Darren Wilson, o policial que matou Michael Brown, pediu demissão neste domingo, 30 de novembro de 2014. REUTERS/St. Louis County Prosecutor's Office

Neste domingo (30), o advogado de Darren Wilson, o policial branco que matou a tiros, em agosto, o jovem negro Michael Brown, anunciou que seu cliente pediu demissão da polícia de Ferguson, no Estado de Missouri. A decisão não acalmou a revolta dos negros nem desencorajou a marcha de 192 km que começou no sábado (29), entre  Ferguson e Jefferson City, capital do Missouri, com o objetivo de exigir igualdade de tratamento das minorias pela polícia .

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Em uma carta ao jornal St.Louis-Post Dispatch, Darren Wilson explica que gostaria de continuar a exercer sua profissão, mas tomou a decisão de se demitir para evitar que "os habitantes e os policiais de Ferguson corram riscos". Wilson diz que gostaria de prosseguir seu trabalho na polícia, mas a segurança dos outros oficiais e do conjunto da comunidade tem mais importância para ele.

Wilson alegou que estava esperando a decisão dos jurados ser conhecida para anunciar sua decisão. Ele afirma, desde o início do caso, ter agido em legítima defesa.

A demissão de Darren Wilson já era esperada, pois não seria possível ele voltar a trabalhar normalmente na cidade. No dia 9 de agosto passado, ele matou com seis tiros o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, que estava desarmado, provocando uma violenta onda de protestos da comunidade negra de Ferguson. O caso também trouxe à tona a questão do racismo na polícia e na população do país. Em Ferguson, 80% dos habitantes são brancos.

Marcha pela igualdade

Ativistas da associação NAACP marcham neste domingo de Ferguson rumo à sede do governo, em Jefferson City
Ativistas da associação NAACP marcham neste domingo de Ferguson rumo à sede do governo, em Jefferson City Facebook/NAACP

O anúncio da demissão não repercutiu na na grande caminhada de ativistas dos direitos civis nos Estados Unidos. Neste sábado (20), eles começaram a chamada "Jornada da Justiça: de Ferguson a Jefferson City", uma marcha de sete dias para conscientizar a necessidade de uma reforma profunda na polícia norte-americana, além de denunciar o júri que não indiciou Darren Wilson pelo crime.

O ponto de partida foi Ferguson, na cidade de Saint Louis, do local onde Michael Brown foi morto. O destino final será Jefferson City, a capital do Estado do Missouri. A iniciativa é da Associação Nacional pelo Progresso da População de Cor (National Association for the Advancement of Colored People, NAACP), presidida por Cornell William Brooks. 

A marcha espera reunir cerca de mil pessoas.

 

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