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Designer brasileiro de óculos de famosos ganha concurso na França

Áudio 05:28
Oscar Resende mora há mais de 20 anos na França.
Oscar Resende mora há mais de 20 anos na França. RFI

O trabalho minucioso e caprichado de um óptico brasileiro radicado na França será recompensado nesta quinta-feira (16). Oscar Esteves, de 54 anos, vai receber o título de Meilleur Ouvrier de France (Melhor Artesão da França), uma prestigiosa homenagem feita pelo Ministério do Trabalho aos melhores profissionais em dezenas de categorias, para valorizar o savoir-faire francês. O brasileiro já produziu óculos comprados pela estilista Victoria Beckham e o cineasta canadense David Cronenberg.

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Esteves concorreu na categoria de oculista, que engloba o design e a fabricação de óculos. Já faz mais de 20 anos que o óptico trocou o sol de Recife por Paris, onde se especializou na profissão. Mas o pernambucano jamais deixou de lado a influência do país natal. “O meu objetivo sempre foi trabalhar com materiais naturais. Fiz estágios em marcas e ateliês de fabricação com chifres de animais e cascos de tartaruga, outro curso junto a uma fabricante de óculos de madeira, em Luxemburgo, e também aprendi a fazer bijuteria e a desenhar os óculos com o auxílio do computador”, conta.

Depois de tentar abrir o próprio negócio, quando montou um ateliê completo, Esteves passou a integrar a seleta equipe do óptico Frédéric Beausoleil, considerado um dos três melhores da França. Foi nesta marca que ele começou a ter acesso a uma clientela que pedia pares sob medida, o trabalho que ele mais gosta de fazer. Cada par custa entre € 1.000 e € 5.000 e, na lista de clientes, nomes famosos começaram a aparecer.

Clientes famosos

“Quando a gente trabalhava para a Louis Vuitton, fazíamos óculos para os desfiles. E uma vez, eu soube que a Victoria Beckham comprou um deles”, lembra. “Outro dia, a dona de uma ótica me ligou para dizer que o David Cronemberg tinha comprado um dos meus óculos. Mas ainda vou ver o presidente François Hollande usando um dos meus modelos”, garante o franco-brasileiro.

Por enquanto, o único chefe de Estado que experimentou os seus produtos foi o presidente do Gabão, Omar Bongo – que tem pelo menos cinco pares assinados por Esteves. Atento ao talento de Esteves, neste ano um ex-professor do pernambucano o convenceu a tentar o concurso para Meilleur Ouvrier de France, que exige meses de preparação. O brasileiro teve de desenhar e produzir duas peças – uma com um tema definido e a outra de escolha livre.

Óptico observa uma das peça criadas para o concurso.
Óptico observa uma das peça criadas para o concurso. RFI

“Eu queria introduzir novo material, porque a madeira já é muito usada. Então eu coloquei o endocarpo [casca] de coco do Brasil”, explica. “Todas as peças têm de ser feitas pelo candidato, até as dobradiças. A única coisa que pode ser pronta são os parafusos.”

Esteves concorreu com 37 candidatos que passaram a primeira fase do concurso, realizado a cada quatro anos. Ele demorou sete meses para confeccionar os dois pares, nos quais também usou chifre de búfalo, endocarpo de piaçava, alumínio ou ouro. A vitória, garante, é o resultado de muita dedicação.

“É um título que vai durar para toda a vida e é o melhor título que pode ter um artesão. É o ‘must’ em termos de carreira, por isso estou mais do que honrado”, afirma. “Quando você se esforça a esse ponto, para produzir uma coisa excepcional, com certeza você terá uma melhora profissional, que é gratificante para você, para a empresa e para o país.”

Oscar Esteves vai receber o prêmio das mãos dos ministros do Trabalho e da Cultura, em uma cerimônia realizada no anfiteatro nobre da universidade Sorbonne. Para coroar, todos os vencedores serão recebidos por François Hollande no Palácio do Eliseu.

RFI

 

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