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Linha Direta

Cúpula do Mercosul é marcada pela crise nos três maiores sócios comerciais

Áudio 05:18
Cúpula do Mercosul ocorre em Paraná, na Argentina.
Cúpula do Mercosul ocorre em Paraná, na Argentina. federasur.org.br
10 min

Começa nesta terça-feira (16), na cidade argentina de Paraná, 500 km ao norte de Buenos Aires, mais uma reunião de Cúpula do Mercosul. Os ministros das Relações Exteriores dos cinco países-membro, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela, além de Bolívia como membro em processo de adesão, vão tentar avançar em questões que tirem o bloco do seu atual estado de confinamento internacional e de estagnação comercial.

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Enviado especial da RFI a cidade de Paraná, Márcio Resende.

A cúpula deverá dar origem a muito discurso a favor da integração, mas poucos fatos concretos. Até as 22 horas de segunda-feira, os negociadores tentavam avançar em questões que permitissem algum anúncio para quando os presidentes se reunirem, nesta terça-feira. Deve ser anunciado um memorando de entendimento comercial com o Líbano para um futuro acordo de preferências tarifárias. O mesmo formato é negociado com a Tunísia.

Pode ainda haver o anúncio de um memorando de cooperação econômica e comercial entre o Mercosul e a União Euroasiática, bloco formado pela Rússia, Belarus e Cazaquistão. Mas ainda não seria um acordo comercial. Outras opções que podem ficar para o ano que vem são Coreia do Sul e Paquistão.

No campo tarifário, o Mercosul pode anunciar o aumento da Tarifa Externa Comum para proteger a indústria local de produtos importados de países de fora do bloco, especialmente da China.

Nos últimos anos, o Mercosul fechou acordos com Israel, Egito, Palestina, Guiana e Suriname - nenhuma economia de peso no cenário internacional. O Mercosul é hoje um bloco confinado em si mesmo, com países em graves problemas econômicos, sem nenhum acordo comercial de relevância com o mundo.

Mercosul e a Aliança do Pacífico

O bloco precisa ganhar projeção regional e força internacional. Um dos aspectos que serão discutidos a partir de hoje é a exploração de complementaridades econômicas entre o Mercosul e os países da chamada Aliança do Pacífico: Chile, Peru, Colômbia e México.

Enquanto o Mercosul é uma União Aduaneira, esses países têm acordos de livre comércio com outros blocos, como a União Europeia, e com grandes economias, como a dos Estados Unidos. O desafio é encontrar pontos de convergência para uma integração no futuro.

Para o Mercosul, a Aliança do Pacífico é crucial não só para o processo de integração regional e de expansão do mercado sul-americano, como também para o Mercosul chegar à Ásia, através do Pacífico.

Outra possibilidade da qual sempre se fala, mas que agora aparece mais firme, é um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Os sul-americanos já anunciaram que estão com as suas ofertas prontas e esperam pela União Europeia. Tudo isso será tarefa prioritária para o Brasil, que assume a presidência rotativa do Mercosul.

Argentina em recessão

O bloco está há tanto tempo paralisado, que agora percebe que ficou estagnado. Os três maiores sócios comerciais tem graves problemas econômicos. A economia brasileira não tem crescido. A Argentina e a Venezuelana têm encolhido.

País que mais compra produtos industrializados brasileiros, a Argentina está com fortes restrições aos importados por falta de dólares e aplica uma série de medidas que afugentam o investimento. O PIB argentino deve encolher 2% neste ano. A falta de dólares levou o país a barrar os produtos importados. E, de todos os países, o Brasil é o mais prejudicado.

As importações argentinas do Brasil caíram 24% neste ano enquanto a média de queda para o resto do mundo é de 11%. Isso ajuda a explicar boa parte do déficit comercial brasileiro até novembro, que chega a US$ 4,2 bilhões, 15 vezes superior ao déficit do ano passado.

E como os países do Mercosul não vão avançar na solução dos seus problemas, a saída mais fácil deve ser jogar a culpa no mundo. É provável que a turbulência nos mercados a partir da queda do petróleo e como isso afeta o bloco esteja em todos os discursos políticos quando os presidentes chegarem na cidade de Paraná.

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