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Reações aos atentados revelam tensão nas escolas e limites à liberdade de expressão

Capa do jornal frances Liberation desta quinta-feira (15).
Capa do jornal frances Liberation desta quinta-feira (15). liberation.fr
3 min

Quatro dias depois da união nacional demonstrada nas marchas de domingo pela França, a imprensa do país alerta nesta quinta-feira (15) para a fragilidade da liberdade de expressão e a tensão que se instalou nas escolas depois que alunos se recusaram a se solidarizar com as vítimas do jornal Charlie Hebdo.

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"A liberdade de expressão é frágil e está sob pressão", alerta o jornal Libération, que reproduz em sua capa uma série de expressões e insultos que invadiram o vocabulário dos franceses depois dos ataques da semana passada contra o Charlie Hebdo, policiais e um supermercado judaico.

Libé afirma que o equilíbrio entre o direito à liberdade de expressão e o respeito a crenças religiosas precisa "ser ajustado permanentemente". Mas, avalia o jornal, "a França dispõe de um arsenal jurídico para proibir discursos de promoção do ódio e de apologia do terrorismo".

Em editorial, Libération explica que a lei francesa permite zombar e até blasfemar a religião e seus símbolos. "Mas se torna excesso quando vira difamação contra pessoas e incita ao ódio, à violência, ao racismo e ao antissemitismo", escreve.

Charlie Hebdo faz sátira e não se situa no mesmo plano da apologia do terrorismo como fez o humorista francês Dieudonné, que disse se sentir um "Charlie Coulibaly", em referência a um dos jihadistas, afirma o jornal.

Tensão nas escolas

O diário Aujourd'hui en France relata diversas situações em que as escolas públicas foram palco de reações inusitadas de alunos após os ataques. Em algumas salas de aula, estudantes se opuseram a fazer um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do Charlie Hebdo por não estarem de acordo com as charges do jornal satírico.

Segundo o Libé, a grande maioria dos alunos obedeceu às homenagens, mas os atentados revelaram uma outra face da juventude francesa que não defende o princípio da laicidade. Por exemplo, os jovens que gritaram "Allah Akbar" (Deus é grande, traduzido do árabe) durante o minuto de silêncio e consideram injusto o tratamento ao humorista Dieudonné, investigado por apologia do terrorismo.

Em entrevista ao jornal, a ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, admite que o conceito de laicidade - que estabelece a separação da religião e do Estado e exclui o ensino religioso na escola pública -, é difícil de explicar "na teoria". Segundo a ministra, a prática desse conceito deve ser diária, para dar espaço à liberdade de julgamento, ao espírito crítico e ao debate contraditório.

Hollande e os militares

Depois do encontro do presidente francês com a cúpula das Forças Armadas na quarta-feira (14), Le Figaro afirma que François Hollande colocou os militares "no centro do combate ao terrorismo".

Diante dos extremistas, o chefe de Estado pediu a revisão do ritmo de redução do efetivo, previsto para o país fazer economias. Por outro lado, o presidente mandou ao Iraque um porta-aviões para ajudar no combate aos jihadistas, informa o jornal.

Para o jornal econômico Les Echos, Hollande "fez um gesto" para as Forças Armadas diante da necessidade de mobilizar militares para combater o islamismo radical. A decisão coincide com o anúncio nesta quinta-feira de que o déficit do governo francês, de pouco mais de 86 bilhões de euros, é bem inferior ao que estava previsto.

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