Europeus e americanos querem reforçar o controle da internet contra o terrorismo

A luta contra o radicalismo islâmico também passa por um combate ideológico na internet, segundo a União Europeia.
A luta contra o radicalismo islâmico também passa por um combate ideológico na internet, segundo a União Europeia. AFP PHOTO / YOUTUBE

Os jornais franceses continuam analisando, nesta sexta-feira (16), as circunstâncias que favoreceram os atentados da semana passada em Paris. Um dos ângulos em destaque hoje é a falta de controle dos sites de propaganda radical islâmica na internet.

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Em manchete, o Le Figaro afirma que os Estados Unidos "querem controlar a internet". Segundo o jornal francês, existe uma mobilização mundial para reforçar a luta contra a criminalidade na rede, a pirataria e a propaganda jihadista, que pregam a guerra santa islâmica (Jihad) contra o Ocidente. Governos e gigantes da internet travam uma batalha de regulação em um universo virtual aparentemente sem limites, mas que precisa ser controlado.

Em seu editorial, Le Figaro afirma que depois dos recentes ataques de hackers contra a conta Twitter do comando militar americano no Oriente Médio e contra grandes empresas americanas, o presidente Barack Obama quer assumir o controle dessa luta "que durante muito tempo foi delegada às próprias empresas da internet".

O combate ao terrorismo na rede está no centro das conversas entre Obama o primeiro-ministro britânico, David Cameron, atualmente em visita a Washington. Cameron quer forçar gigantes da internet, como Google, Facebook, Yahoo, Twitter, além das plataformas de conversas criptografadas como Skype, WhatsApp e Snapchat, a fornecer os dados de comunicação de seus usuários aos serviços de inteligência. Os europeus reconhecem estar despreparados diante da rapidez de ação dos jihadistas na rede.

Proselitismo na rede

O jornal Libération também destaca o problema do proselitismo terrorista na internet. O jornal relata uma série de ameaças de ataques virtuais que pipocaram na internet depois dos atentados de Paris.

Um grupo denominado Exército Cibernético do Oriente Médio, que usa a sigla Meca, crítico ao jornal Charlie Hebdo, prometeu "grandes surpresas" em sua conta no Twitter, relata Libération. Mas a ameaça não se concretizou, ao menos por enquanto.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal de esquerda, os ataques cibernéticos oferecem um risco menor, já que na maioria das vezes os hackers conseguem apenas desconfigurar sites oficiais e de empresas. O problema mais urgente a ser superado é o recrutamento de jovens para o jihadismo, que tem atraído milhares de jovens na Europa, e acontece diariamente nas barbas dos governos pela internet.

A luta contra o radicalismo islâmico também passa por um combate ideológico na internet, segundo a União Europeia.

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