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Imprensa

Na França, 57 professores foram exonerados por envolvimento com pedofilia

© Josselin Clair
Texto por: RFI
3 min

O recente escândalo de pedofilia envolvendo o diretor de uma escola primária no leste da França trouxe à tona outros casos de abusos de menores no ambiente escolar. Esse é um dos principais destaques dos jornais franceses desta quinta-feira (2).

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O jornal Aujourd'hui en France afirma na edição de hoje que 57 professores foram exonerados nos últimos três anos após terem sido condenados por posse de imagens pornográficas com crianças ou por de atos de pedofilia.

Os dados obtidos com exclusividade pelo jornal esbarram, porém, no silêncio das autoridades francesas. Elas não responderam qual foi o teor da condenação desses profissionais, se as agressões sexuais ocorreram dentro da escola e se as vítimas eram estudantes. Na avaliação do jornal, a comunicação entre a Justiça e os responsáveis pela educação nacional é “falha”.

A ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, afirmou que não é "inadmissível" que as crianças sejam expostas a esse tipo de violência. Sobre o assunto, deputados da oposição apresentaram um projeto de lei que prevê que pessoas condenadas por atos de pedofilia sejam proibidas de exercer profissões em contato direto com menores.

Cuidado para não estigmatizar os profissionais de educação

"Não podemos ficar excessivamente angustiados", disse a ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, em declaração citada pelo Libération. Segundo o jornal, a ministra "pisava em ovos" em uma coletiva de imprensa para tratar de um caso de pedofilia envolvendo o diretor e professor de uma escola primária em Villefontaine, perto de Lyon.

Ao longo da semana, o ministério da Educação recebeu outras denúncias envolvendo esse professor. Contrariada, a ministra teve que admitir que a falta de coordenação entre a Justiça e as autoridades de educação é mais "comum do que se imagina".

Mas ela assegurou que todas as autoridades envolvidas nessa questão vão se reunir nos próximos dias para tratar do problema. Segundo a ministra, já existe uma circular que recomenda que os ministérios públicos informem às autoridades da pasta da Educação sobre réus condenados por pedofilia. Porém, como a circular não tem o peso de uma lei, muitas vezes, ela é ignorada, informa o jornal.

Justiça considerou professor acusado de pedofilia inofensivo

O jornal Le Figaro destaca declarações do advogado do professor da escola do leste da França, Romain Farina. De acordo com o advogado, o seu cliente havia visitado sites de pornografia com menores, mas, segundo os psiquiatras forenses, ele não "representava um risco maior".

Nas audiências com a Justiça, segundo o advogado, ele se mostrava triste e arrependido. O comportamento de Romain Farina “não permitia antever que ele estupraria e molestaria crianças”, afirmou o advogado.
 

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