Governo francês exige da polícia mais rigor no combate à imigração ilegal

Acampamento precário de imigrantes sudaneses na região de Calais, norte da França, em dezembro de 2014.
Acampamento precário de imigrantes sudaneses na região de Calais, norte da França, em dezembro de 2014. REUTERS/Philippe Wojazer

Poucos dias depois da derrota nas eleições departamentais para a oposição de direita, o governo socialista francês decidiu reforçar sua luta contra a imigração clandestina. O jornal Le Figaro desta sexta-feira (3) vê na iniciativa uma pressão sobre os responsáveis pelas polícias regionais, que deverão ser mais firmes no combate a um fenômeno crescente.

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Le Figaro afirma em sua manchete que "o governo francês está preocupado com o aumento da imigração". O jornal conservador teve acesso a um documento, classificado de confidencial, no qual o ministério do Interior orienta os responsáveis pelas polícias locais a serem mais rigorosos no combate à imigração clandestina.

Segundo o diário, enquanto milhares de refugiados sírios e africanos tentam entrar na Europa vindos da Líbia, o ministro Bernard Cazeneuve defende uma "política migratória equilibrada", o que significa uma melhor acolhida para os imigrantes legais, mas tolerância zero com as redes criminosas que exploram imigrantes clandestinos.

O jornal lembra que houve aumento de 250% na entrada de imigrantes ilegais na Europa nos dois primeiros meses de 2015, comparado com o mesmo período do ano passado. E o chefe da Frontex, agência europeia responsável pelas fronteiras da União Europeia, Fabrice Leggeri, estima que entre 500 mil e 1 milhão de imigrantes estão prontos a embarcar no litoral da Líbia para tentar chegar ao continente europeu.

Para enfrentar essa anunciada onda de imigrantes clandestinos que o governo francês tenta se prevenir, avalia Le Figaro.

Medidas concretas

Entre as medidas preconizadas pelo ministro Cazeneuve está uma maior agilidade na comunicação de eventuais fluxos migratórios nas fronteiras francesas. A informação rápida ajuda o governo a lidar com o problema, avalia o ministério do Interior.

O objetivo do documento enviado aos responsáveis pelas polícias é, principalmente, combater as redes criminosas que exploram imigrantes em situação ilegal. Para isso, o governo pede maior atenção na investigação de falsos documentos de filiação. Um caso citado é o de um pai que emitiu certificados reconhecendo a paternidade de 40 crianças para que elas pudessem ficar no território francês.

O governo também quer apertar o cerco contra as redes que falsificam documentos de identidade de outros países para poder regularizar a situação de clandestinos na França. Le Figaro também explica que o ministério do Interior quer ver a polícia recorrer cada vez mais a proibições de retorno ao território francês de cidadãos que forem expulsos do país.

No ano passado, escreve o jornal, 6.515 estrangeiros foram expulsos forçadamente, o que muitas vezes exigiu a companhia de dois policiais para deixar a França. O aumento foi de 21,8% em relação ao ano anterior.

O governo, sugere Le Figaro, quer respostas rápidas já que os responsáveis regionais pelas polícias devem entregar um primeiro balanço da nova ofensiva contra a imigração clandestina até o próximo dia 30 de junho.
 

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