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Segundo candidato republicano agita pré-campanha presidencial nos EUA

Áudio 04:36
O Senador republicano Rand Paul (centro), precursor do movimento Tea  Party é um candidato presidencial à Casa Branca.
O Senador republicano Rand Paul (centro), precursor do movimento Tea Party é um candidato presidencial à Casa Branca. REUTERS/Jonathan Ernst

A eleição que vai definir o sucessor do presidente Barack Obama só acontece em Novembro de 2016. Mas Washington já se agita com os aspirantes ao cargo correndo em busca da nomeação de seus partidos. Nessa terça-feira (7), o senador republicano Rand Paul vai ser o segundo a anunciar a pré-candidatura. O primeiro foi o senador republicano Ted Cruz que fez o anúncio no mês passado.

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Raquel Krahenbuhl, correspondente da RFI em Washington

Desde que chegou ao Senado em 2011, o republicano Rand Paul está de olho na Casa Branca. Suas ações e encenações no Congresso – como uma obstrução de quase 13 horas em 2013 contra a nomeação do presidente da CIA, John Brennan, ou posições contra a política de drones do presidente Barack Obama – foram calculadas, de olho nesse objetivo. Finalmente nessa terça-feira (7), Paul vai oficializar seu desejo e sair em busca da nomeação do Partido Republicano.

Ele é um candidato interessante. Vai trazer para a disputa republicana um sabor dos movimentos ultra-conservador do Tea Party e do Libertário, já defendido pelo pai dele, Ron Paul, nas campanhas presidenciais de 2008 e 2012.

Paul vem defendendo que para tomar a Casa Branca dos democratas é preciso levar em conta as mudanças demográficas no país. E pra isso, defende que o partido precisa expandir e diversificar seu eleitorado. Ele não só promete ser essa pessoa mais inclusiva capaz de conquistar minorias, como já tem apoio de um eleitorado mais diversificado, incluindo jovens, e até negros, eleitores que têm tendências a votar mais no Partido Democrata.

O pré-candidato chega com a promessa de ser um republicano diferente que vai consertar Washington. O slogan dele é: “Derrotando a máquina de Washington. Libertando o sonho americano.” Assessores afirmam que os principais temas durante a campanha dele vão ser a defesa de um imposto fixo, a reforma da Receita Federal, limites de mandato, privacidade e reforma no sistema de justiça.

Ala tradicional

Rand Paul não é muito popular entre os mais tradicionais do partido e sem o apoio dessa ala fica difícil ser nomeado pelos republicanos. Os chamados falcões têm mais influência, acabam financiando o candidato e, por fim, elegendo o nome do partido que vai disputar as eleições presidenciais contra o candidato democrata.

Em busca desse apoio tão importante, ele tem adaptado algumas de suas posições e retóricas. Ele tem, por exemplo, se alinhado um pouco mais com a base republicana conservadora na área de defesa e política externa. Antes, ele tinha uma retórica não intervencionista. Agora, ele adota uma postura mais dura.

Um exemplo disso: uma vez, ele defendeu cortar drasticamente o orçamento do Pentágono, mas no final do mês passado propôs um aumento de 190 bilhões de dólares no orçamento de defesa. Aqueles que apoiam Paul dizem que essa mudança ocorre em função dos novos riscos no Oriente Médio, com expansão do Estado Islâmico e não de um reposicionamento estratégico de campanha.

É uma situação complicada. Paul precisa encontrar um equilíbrio difícil, uma maneira delicada de se tornar mais aceitável aos conservadores, de expandir sua coalizão política, sem desentusiasmar seus eleitores e nem alienar os libertários herdados de seu pai.

Outros republicanos na disputa

Oficialmente, apenas o senador Ted Cruz, o querido do Tea Party, lançou sua pré-candidatura. Cruz não é o favorito do partido, já fez muitos inimigos em Washington, mas é um político inteligente, que fala muito bem é e perigoso. Na campanha ao Senado em 2012, conseguiu derrotar um tradicional republicano, que era o favorito. Então pode acabar atrapalhando outros candidatos com mais chances.

Em primeiro lugar nas pesquisas aparece o ex-governador da Florida Jeb Bush, filho e irmão dos ex-presidentes George Bush pai e George W. Bush. Ele é favorito, entre outras coisas, pelo fato da família dele ter uma ampla rede de contatos que pode render arrecadação recorde. Jeb deve lançar a pré-candidatura no próximo mês.

Rand Paul aparece em terceiro lugar nas pesquisas, atrás do governador de Wisconsin. Mas nenhum deles tem sequer 20% das intenções de voto dos correligionários. Ou seja, é uma disputa sem grandes favoritos e com vários nomes possíveis. Por isso, mesmo se as primárias só comecem em janeiro de 2016, a corrida republicana já deve começar a ficar tensa e feia.

Campanha democrata

Do lado Democrata, o nome de Hillary Clinton aparece cada vez mais disparado nas pesquisas e não parece haver um plano B viável ao partido. Ela deve lançar a pré-candidatura ainda esse mês.

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