Linha Direta

Venezuela prevê Cúpula das Américas muito “tensa”

Áudio 03:56
A sétima edição da Cúpula das Américas  terá a participação inédita de Cuba.
A sétima edição da Cúpula das Américas terá a participação inédita de Cuba. REUTERS/Mariana Bazo

A Cúpula das Américas nem sequer começou e já está sendo considerada a reunião mais tensa dos últimos tempos. Pelo menos vista da Venezuela, de onde partiram militante “chavistas” e de oposição ao governo do presidente Nicolas Maduro. Eles pretendem chamar a atenção das comitivas de 35 países que estarão no Panamá nos próximos dias 10 e 11 de abril.

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Elianah Jorge, correspondente da RFI, em Caracas,

Um conselheiro do Departamento de Estado da Casa Branca se reuniu em Caracas na noite de quarta-feira (8) com a chanceler Delcy Rodriguez, dias após o governo americano ter afirmado que Venezuela não representa uma ameaça aos Estados Unidos.

Na conversa, foi exigido a Thomas Shannon que Washington revogue o decreto com sanções visando sete funcionários do governo venezuelano. Além disso, o presidente Nicolás Maduro pretende entregar um documento com 10 milhões de assinaturas em protesto contra a medida.

Porém, além da tensão com os Estados Unidos, outra pedra no sapato do governo venezuelano é a pressão que alguns opositores estão fazendo para chamar a atenção de líderes de Estado e da opinião pública durante a Cúpula. Lilian Tontori e Mitzy de Ledezma, as respectivas esposas dos opositores Leopoldo López e de Antonio Ledezma, estarão no Panamá para alertar sobre a situação dos presos políticos do país. No panamá, a oposição também pretende exigir que as eleições legislativas sejam realizadas este ano.

Conversa com Dilma Rousseff

Na conversa que teve com a presidente do Brasil, Dima Rousseff, por telefone, Nicolás Maduro citou a tensão de seu país com Washington. Ele pretende retomar o diálogo com os Estados Unidos com base no respeito mútuo à soberania de ambos os países.

Por sua vez, Dilma reiterou a disposição do Brasil de continuar a desenvolver iniciativas que permitam o fortalecimento do diálogo entre governo e oposição. O venezuelano está buscando apoio dos países aliados da região, já que a delicada situação interna do país vem ganhando cada vez mais destaque internacional.

A pressão cresceu com a decisão de vinte ex-presidentes da região de assinar um documento chamado “Declaração do Panamá”, no qual denunciam a suposta repressão a opositores venezuelanos. A chanceler Delcy Rodríguez terá como missão conversar com autoridades dos 35 países que participam da reunião para encontrar meios de dar novo impulso à economia venezuelana. O país está buscando ajuda financeira para pagar aos credores e comprar produtos básicos para minimizar a escassez que atinge a população.

Pressão sobre Caracas

Grupos ligados ao governo venezuelano afirmam que a CIA, a Agência de Inteligência dos EUA, está organizando atividades alternativas à Cúpula do Panamá para um show “anti-chavista”. Por exemplo, o site “La Iguana” cita nomes de opositores, supostamente financiados pelo governo dos Estados Unidos, que estariam na capital panamenha para criar situações “embaraçosas”.

Essas pessoas, chamadas de “staff CIA”, fariam uma “campanha inédita” respaldada pela agência e pelo Departamento de Estado de Washington. Já os adversários de Nicolás Maduro mantêm esperanças de que a Cúpula contribua para aumentar a pressão internacional sobre governo e se traduza em alívio de medidas repressivas contra a oposição.
 

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