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Ciberataque contra TV5 Monde revela nova arma de guerra dos jihadistas

Policial faz a segurança na entrada da sede parisiense do canal TV5 Monde.
Policial faz a segurança na entrada da sede parisiense do canal TV5 Monde. REUTERS/Benoit Tessier

Dois dias depois do ciberataque que tirou do ar o canal de televisão TV 5 Monde, os jornais franceses desta sexta-feira (10) destacam essa nova arma poderosa usada pelo grupo Estado Islâmico: a pirataria informática.

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Le Figaro lembrou que o maior ataque já realizado contra um canal de televisão foi realizado três meses após os atentados de Paris. Os hackers tomaram o controle da emissora e também de todas as contas do grupo TV5 Monde na internet e nas redes sociais.

A sofisticação do ataque levou o governo francês a uma resposta à altura: treze especialistas em informática foram enviados à sede do canal de tevê para combater a pirataria e garantir o retorno da difusão dos programas. Esse ciberataque mostra a vulnerabilidade das empresas diante da poderosa ameaça terrorista que se tornou mais evidente na internet a partir de janeiro, afirma Le Figaro.

Essa onda de ataques pode ser uma represália do grupo contra a ofensiva francesa no Iraque, estima o jornal conservador. Le Figaro vê neste ataque a capacidade do grupo Estado Islâmico de mostrar sua força em diversas áreas.

O jornal alerta para a necessidade de uma vigilância total nos sistemas de segurança na França, não apenas dos meios de comunicação, mas também de aeroportos, centrais nucleares, áreas de defesa, entre tantos outros setores que podem se tornar alvos dos jihadistas no futuro.

Guerra invisível e ciberjihadismo

Ciberjihadismo foi o termo empregado pelo Le Parisien. O jornal fala de uma guerra invisível que se trava também nas falhas dos sistemas de segurança de informática. “O ataque sem precedentes ao canal TV5 Monde revelou a capacidade ilimitada dos radicais islâmicos de divulgar sua propaganda e suas ameaças”, estima o diário.

A rede de onze canais que divulga para todo o mundo programas em francês voltou ao normal ontem às 6 horas da tarde, depois de ter ficado 24 horas fora do ar. Os hackers, que se dizem vinculados ao grupo Estado Islâmico, emitiram mensagens com vários erros de ortografia, mas o recado foi claro: pedir para a França parar o combate contra o grupo Estado Islâmico. Os extremistas atingiram apenas parcialmente seu grande objetivo que era o de controlar totalmente um canal de televisão internacional, estima o diário.

Le Parisien informa que o grupo batizado de “cibercalifado” está no radar dos especialistas dos serviços secretos há mais de um ano. O jornal também afirma que um site especializado em pirataria aponta um suspeito: um hacker conhecido como Najaf que estaria baseado na Argélia. Mas um investigador ouvido pelo diário diz que ainda é impossível identificar a origem do ataque.

Ataque conhecido

O jornal Les Echos explicou os passos adotados pelos hackers. Tudo começou com um ataque na estrutura de difusão do canal TV5 Monde. A hipótese inicial da empresa foi a de uma pane geral no sistema.  Nesse momento, o acesso a todos os e-mails desapareceu dos servidores.

Les Echos informa que, há quinze dias, a Agência nacional de segurança dos sistemas de informação detectou um primeiro sinal de alerta, com a utilização ilegal de um servidor do grupo de comunicação que estava desprotegido. O ataque não tem nada de novo e segue o protocolo dos hackers, segundo os especialistas.

Para lutar contra o ciberterrorismo, escreve o artigo, o governo francês quer contar com a cooperação de gigantes do setor de informática dos Estados Unidos. O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, vai se encontrar com os representantes das empresas na semana que vem, em Paris.

 

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