Le Monde compara cem dias do governo Dilma aos últimos momentos de Collor

A presidente Dilma Rousseff.
A presidente Dilma Rousseff. REUTERS/Ueslei Marcelino

A edição de domingo do Le Monde destaca as novas manifestações no Brasil, neste domingo (12), contra a presidente Dilma Rousseff. "A questão da destituição de Dilma, que perdeu a credibilidade em seu próprio campo político, não é mais um tabu no Brasil", escreve o prestigiado jornal francês.

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Segundo Le Monde, a passagem de Dilma pela Cúpula das Américas, no Panamá, e a reunião bilateral com Barack Obama, neste sábado, representam para Dilma "um raro momento de pausa" antes do retorno "aos tormentos" da política brasileira.

Le Monde estranha a passividade com que Dilma tem enfrentado as tempestades que se abatem sobre seu segundo mandato. O jornal nota que a presidente fez uma série de anúncios contraditórios nos cem primeiros dias do governo. A retração da economia está sendo pior do que ela imaginava, os escândalos de corrupção se multiplicam e as divisões políticas no interior do governo tornam as coisas ainda mais complicadas. Pior: 80% dos brasileiros não aprovam as medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, segundo pesquisas citadas pelo jornal.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Guilherme Boulos, diz ao Le Monde que Dilma subestimou a insatisfação dos brasileiros. Solitária e de certa forma irracional, "Dilma não é mais a sombra do que era em seu primeiro mandato", quando a aprovação ao governo chegou a 70%. Boulos afirma não saber se o governo vai durar até o final do ano.

"Esse vácuo lembra os últimos momentos do governo de Fernando Collor de Mello, o único presidente brasileiro que foi objeto de uma destituição por corrupção, e de José Sarney, que perdeu o apoio do Congresso e sofreu a hostilidade das ruas", observa Le Monde.
 

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