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Governo francês investiga maior ataque da história dos meios de comunicação

Áudio 05:22
No Brasil, o Comitê Gestor da Internet contabilizou mais de 1 milhão de incidentes envolvendo segurança em 2014.
No Brasil, o Comitê Gestor da Internet contabilizou mais de 1 milhão de incidentes envolvendo segurança em 2014. REUTERS/Mal Langsdon/Files

O governo francês está investigando o que foi considerado o maior ciberataque da história dos meios de comunicação. A invasão sofrida pela emissora francesa TV5 Monde no último dia 8 de abril afetou a programação da rede durante quase 24 horas. Na internet, o site da TV e as mídias sociais também ficaram fora do ar. Para o diretor-geral do canal, Yves Bigot, um ataque de tal dimensão pode ter levado meses de planejamento. “Tivemos há algumas semanas um pequeno alerta na Informática que nos faz crer que talvez já fosse um teste”, revela.

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Viviane Yanagui, em colaboração para RFI

O ataque foi reivindicado pelo “Cybercaliphate”, simpatizante do grupo extremista Estado Islâmico. Mas o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, preferiu optar pela cautela ao falar em “ato terrorista”: “mesmo quando há uma reivindicação, ela precisa ser confirmada, então a prudência é a regra até que todas as hipóteses tenham sido verificadas”.

O profissional em segurança informática Jérôme Robert explica que a investigação da origem de ataques cibernéticos passa pela avaliação das circunstâncias do incidente. Ou seja, “analisar quem se beneficia com o crime, ver se há semelhanças com outras ocorrências e se o vírus utilizado já foi reconhecido em outro ataque, identificar o fuso horário dos piratas”. Mas descobrir exatamente quem foram os autores não é fácil. “É preciso que eles tenham cometido alguma falha”.

De acordo com o especialista em espaços digitais Benoît de Saint-Cernin, um ataque cibernético pode ter efeitos devastadores. “Imagine que pegou fogo na sede da empresa durante a noite e você não pode entrar. Como retomar as atividades? Os ataques digitais têm exatamente essa lógica. É catastrófico, no mínimo, para a imagem da empresa.”

Ciberataques contra a imprensa pelo mundo

Vários meios de comunicação foram alvos de ciberataques nos últimos anos. Em fevereiro de 2015, a conta Twitter da revista americana Newsweek foi pirateada e difundiu ameaças ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assim como arquivos confidenciais do Pentágono.

Em janeiro, na França, uma semana depois dos atentados contra o jornal Charlie Hebdo e contra o supermercado judaico, diversos veículos de mídia tiveram os sites bloqueados, entre eles Médiapart e France Info.

Na China, em 2014, um grupo anticomunista reivindicou um ataque a uma rede de televisão por satélite, a Wenzhou TV. No mesmo ano, o site da revista americana Forbes foi pirateado por hackers chineses.
Em 2012, no Catar, a TV Al Jazeera foi alvo do Exército Eletrônico Sírio. Esse mesmo grupo já se declarou autor de outras invasões contra a mídia e sites de empresas.

Brasil: incidentes de segurança na internet ultrapassam 1 milhão

O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) recolhe desde 1999 dados sobre incidentes de segurança em computadores que envolvam redes conectadas à internet brasileira. Naquele ano, foram contabilizadas cerca de 3 mil ocorrências. Em 2014, esse número ultrapassou 1 milhão. Desses, quase a metade foram fraudes e tentativas de fraudes.
 

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