Reportagem

Jornal belga sofre ciberataque; caso da TV5 Monde envolveu falha humana

Áudio 04:06
Capa do jornal belga Le Soir desta quarta-feira, 15 de abril de 2015.
Capa do jornal belga Le Soir desta quarta-feira, 15 de abril de 2015. www.lesoir.be/

Depois do ataque cibernético ao canal francês TV5 Monde, no dia 8 de abril, foi a vez do jornal belga Le Soir sofrer com a pirataria na internet. Os hackers perturbaram o fechamento do jornal do último domingo (12) e obrigaram o veículo a tirar o site do ar por várias horas. E nessa segunda-feira (13), um novo ataque ao site do diário belga foi assumido por um grupo de piratas.

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Viviane Yanagui, em colaboração para RFI

Os hackers declararam que querem mostrar as fragilidades da segurança da informação e ameaçaram divulgar bases de dados dos canais da France Télévisions, a rede pública de televisão francesa.

O professor-doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Celso Figueiredo, especialista em redes sociais, avalia por que os sites e contas em redes sociais da imprensa são um alvo tão visado por ciberpiratas. Segundo o professor, “um ataque terrorista a um site da imprensa seria a versão virtual de um ataque à bomba a uma organização, a uma empresa. Para esses grupos, metade da importância do ataque é devida à repercussão gerada”.

Desde 1999, o Brasil mantém um sistema de estatística que recolhe dados sobre incidentes de segurança de redes conectadas à internet brasileira. Naquele ano, foram contabilizadas cerca de 3 mil ocorrências. Em 2014, esse número ultrapassou 1 milhão.

Segundo Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR e membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, o tipo de incidente que mais vem chamando a atenção é o “ataque de negação de serviço” (DoS, do inglês Denial of Service). “Antigamente os incidentes eram mais voltados a enganar o usuário, a fraudar bancos e coisas assim. Isso evolui com o tempo e agora as estatísticas mostram que, digamos, a ‘moda’ é o ataque de negação de serviço”, explica.

As notificações de ataques de negação de serviço no Brasil aumentaram em mais de 200 vezes entre 2013 e 2014, totalizando no último ano 223.935 casos. Gestchko explica que esse tipo de ataque é um meio de tirar um site do ar: “você não gosta de um serviço do governo, do serviço de uma companhia, do site de um ativista político, você arregimenta máquinas que estão a seu controle e num momento exato todas vão lá, perguntam uma coisa qualquer e o site sai do ar porque não agüenta responder a todas”.

Falha humana

Vários meios de comunicação foram alvos de piratas nos últimos anos. Na semana passada, a emissora francesa TV5 Monde sofreu o que foi considerado o maior ataque cibernético contra a imprensa no mundo. De acordo com as investigações, a invasão começou a ser preparada no fim do mês de janeiro e foi possível graças a uma falha humana.

Os piratas enviaram e-mails aos jornalistas da emissora. Três pessoas teriam respondido a falsa mensagem, o que permitiu aos hackers a entrada no sistema da rede pela inserção do chamado “cavalo de troia”. Foi assim que um vírus conseguiu contaminar os computadores do canal.

A investigação ainda não confirmou se os piratas que atacaram a televisão francesa são mesmo ligados ao grupo extremista Estado Islâmico.

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