Linha Direta

Para analistas do FMI e Banco Mundial, Brasil pode se recuperar se tomar medidas certas

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Em Washington, os ministros Nelson Barbosa, do Planejamento, Joaquim Levy, da Fazenda, e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, tentam reaproximar o Brasil e os Estados Unidos..
Em Washington, os ministros Nelson Barbosa, do Planejamento, Joaquim Levy, da Fazenda, e Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, tentam reaproximar o Brasil e os Estados Unidos.. REUTERS/Ricardo Moraes

Nesta semana estão sendo realizados, na capital americana, os “encontros de primavera” do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), quando as duas instituições divulgam suas avaliações e expectativas para o panorama econômico e o desenvolvimento social da comunidade global.

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Ligia Hougland, correspondente da RFI Brasil em Washington

De acordo com relatórios do FMI já divulgados nesta semana, o Brasil terá uma contração de 1% este ano, e é o principal responsável pelo fraco desempenho da América Latina, que deve ter um crescimento de 0,9%.

Mesmo com estimativas desanimadoras, os economistas do FMI e do Banco Mundial parecem dispostos a dar um voto de confiança ao Brasil, embora com cautela. Eles acreditam que, se as prometidas medidas de ajuste fiscal, reforma política e iniciativas de investimento em infraestrutura forem realmente implementadas, o país conseguirá sair da estagnação.

Os especialistas afirmam que o maior desafio do Brasil é conseguir reconquistar a confiança dos mercados e dos investidores, pois o País sofre de uma crise de confiança que, se não for solucionada, pode impedir o crescimento econômico.

O Brasil nunca foi conhecido por ser um país onde é fácil fazer negócios, mas, nos últimos anos, os investidores ficaram ainda mais desapontados com o ambiente pouco conveniente para negócios e começaram a procurar outros mercados emergentes, como a África do Sul e a Índia, conforme indicam os relatórios do Fundo.

Os economistas do FMI e do Banco Mundial dizem que agora cabe ao Brasil mostrar que está disposto a facilitar a entrada de novos negócios ao eliminar burocracias e criar um ambiente mais convidativo aos investidores.

Emergentes

Os países emergentes devem ver uma expansão de 4,3% em 2015, apresentando uma pequena queda em relação ao crescimento de 4,6% de 2014.

A China deve ter um crescimento de 6,8%, enquanto a Índia lidera o grupo com 7,5%.

Entre os Brics, somente a Rússia deve apresentar um desempenho pior que o brasileiro, com uma retração de 3,8%.

América Latina

Como diz o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, Augusto de la Torre, os latino-americanos são impacientes e têm dificuldade em manter uma visão de longo prazo. Por isso, pode não ser fácil fazer as tão necessárias mudanças, pois elas, frequentemente, significam sacrifícios no curto e médio prazos.

Além disso, os economistas do FMI e do Banco Mundial salientam que não é possível ter um crescimento permanente e vigoroso sem um investimento em capital humano. Ou seja, é fundamental que haja investimento pesado em educação, saúde e infraestrutura.

Mas os especialistas ainda parecem ter esperança que o Brasil e toda a América Latina estejam finalmente entendendo que é preciso manter uma visão de longo prazo para que atinjam um desenvolvimento econômico e social sustentável, apesar de eles estarem conscientes de que o desafio que tem de ser enfrentado pela região é grande.

Promoção da imagem

Talvez por motivos diplomáticos, dá para notar que tem se evitado mencionar o escândalo da Petrobras abertamente, mas o problema da corrupção, de modo geral, tem sido discutido.

Os analistas dizem que o Brasil agora tem uma oportunidade de mostrar que é uma democracia madura, conta com instituições democráticas sólidas e consegue lidar com problemas de ilegalidades e crises políticas. Se isso for provado, a imagem do país vai se solidificar perante a comunidade global, o que, consequentemente, resultará em mais credibilidade e investimentos para o Brasil.

O principal objetivo tanto do ministro Levy quanto do presidente do Banco Central é promover uma melhor imagem do Brasil se reunindo com representantes de governos e investidores estrangeiros em Washington e, depois disso, também em Nova York.

O ministro da Fazenda vai se encontrar nesta quinta-feira (16) com autoridades do governo americano, como o secretário do Tesouro, Jacob Lew, e nessas reuniões deve tentar promover as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, que ficaram salgadas desde o vazamento das atividades de espionagem do governo americano que fizeram, inclusive, com que a presidente brasileira cancelasse sua visita de estado à Casa Branca, em 2013.

Recentemente, na Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá, os dois governos confirmaram que Dilma se encontrará com Obama, no final de junho deste ano, em Washington. Mas não foi feito o convite para visita oficial de Estado, que o Palácio do Planalto parecia desejar. A Casa Branca diz não ter espaço na agenda para receber a presidente até 2016.

No entanto, se o governo brasileiro mostrar que está mesmo disposto a fortalecer os laços com os Estados Unidos e Obama realmente passar a olhar para a América Latina com verdadeiro interesse, a economia do Brasil e de toda a região só tem a ganhar.
 

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