Polonês relança debate sobre fronteiras depois de estuprar e matar francesa de 9 anos

Capa do jornal Le Parisien, 17 de abril de 2015.
Capa do jornal Le Parisien, 17 de abril de 2015.

A morte de uma menina francesa de 9 anos, Chloé, raptada em um parquinho de Calais (norte), violentada e em seguida estrangulada por um cidadão polonês de 38 anos é uma das principais manchetes da imprensa nesta sexta-feira (17). O crime aconteceu na última quarta-feira (15) e comove o país. A manchete do Le Parisien é Revolta e Incompreensão. O jornal gratuito Metronews diz em título que os habitantes de Calais estão arrasados com essa tragédia.

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As circunstâncias atrozes do assassinato de Chloé são agravadas pelo extenso histórico judicial do agressor, que inclui duas passagens pela prisão, uma na França (dois anos e meio) e outra na Polônia (dois anos). Detido poucas horas depois de policiais encontrarem o corpo da menina, o polonês Zbigniew H. confessou o crime.

Criminoso estava alcoolizado

Na tarde de quarta-feira, Zbigniew H. estacionou seu carro perto de um bar no centro de Calais, onde bebeu alguns copos de cerveja. Num parquinho próximo, crianças brincavam com pistolas de água de brinquedo. Chloé teria molhado o polonês, que, irritado, raptou a menina e a levou em seu carro até um bosque da cidade. No local, a criança foi estuprada e estrangulada, conforme revelou a autópsia. Um laudo da polícia confirmou que o homem estava alcoolizado.

O crime causa revolta porque o polonês tinha um longo histórico de assaltos e agressões a moradores de Calais. Em 2010, ele foi condenado a seis anos de prisão por extorsão e tentativas de assalto. Ele cumpriu a pena até março do ano passado, quando foi libertado e conduzido até a fronteira para retornar a seu país de origem. De volta à Polônia, Zbigniew H. cometeu novos assaltos em Varsóvia, mas, antes de ser preso, retornou para Calais.

Revolta com acordo Schengen de livre circulação

Revoltados, os franceses questionam como um criminoso reincidente como ele pode ficar solto. O jornal Le Parisien entrevistou o perito que assinou o laudo psicológico do polonês, em 2009. Na época, o relatório já alertava que o homem era um psicopata e tinha problemas de alcoolismo. No entanto, ele nunca havia sido condenado por violência sexual ou contra menores. A justiça não tinha os meios para mantê-lo na cadeia, explica Le Parisien. Como França e Polônia são signatárias do acordo Schengen de livre circulação entre países do bloco, Zbigniew H. tinha o direito de ficar no solo francês sem ser importunado.

Ainda não está claro se houve falhas no controle judiciário do indivíduo na Polônia. Mas tudo indica que não. O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, e o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, prometeram cobrar esclarecimentos das autoridades polonesas. Um dos maiores problemas dos criminosos reincidentes é que, se eles cumprem as penas a que foram condenados, a justiça é obrigada a colocá-los em liberdade.

Rejeição a imigrantes

Calais é confrontada a um grave problema de imigração clandestina. O polonês não entra nessa categoria, pois tem documentos europeus. Porém, para os moradores da cidade, o fato de o crime ter sido cometido por um estrangeiro aumenta o sentimento de rejeição. Zbigniew H. disse à polícia que estava em Calais enquanto aguardava uma ocasião de atravessar o canal da Mancha para encontrar uma irmã que mora na Inglaterra.

O jornal gratuito Metronews relata a marcha em memória de Chloé que reuniu, ontem, 5 mil pessoas diante da prefeitura de Calais. As imagens da mãe da menina, abraçada à prefeita, são comoventes. Metronews também afirma que o assassino tinha o direito de circular na França. "O destino foi injusto com a pequena Chloé", lamenta o jornal, acrescentando que "ela não teve os meios para se defender de um psicopata".

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