Linha Direta

Sobrevivente do naufrágio diz que pessoas foram trancadas no porão do barco

Áudio 05:11
Imagens da guarda costeira italiana depois do naufrágio.
Imagens da guarda costeira italiana depois do naufrágio. REUTERS/Guardia di Finanza/Handout via Reuters

Segundo um sobrevivente originário de Bangladesh, centenas de pessoas estavam no porão do barco que naufragou no fim de semana no Mar Mediterrâneo, com as portas trancadas para evitar fugas. Os relatos afirmam que os cerca de 700 passageiros, ao perceberem a aproximação do outro barco cargueiro português, correram para o mesmo lado do convés, o que teria provocado a tragédia.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma.

O mesmo sobrevivente de Bangladesh, resgatado no domingo (19) e transportado em estado de emergência para um hospital na Sicília, afirma que havia 950 pessoas a bordo, sendo cerca de 200 mulheres e 50 crianças. Na manhã desta segunda-feira (20), o navio da guarda costeira italiana atracou no porto de Valeta, capital da ilha de Malta, com 24 cadáveres a bordo e 27 dos 28 sobreviventes. Os corpos serão deixados em Malta e os imigrantes vão prosseguir a viagem para a cidade de Catânia, na Sicília, ilha no sul da Itália.

No domingo, (19), primeiro-ministro Matteo Renzi fez uma reunião de emergência do governo italiano. Ele reiterou que o problema da imigração não é uma prioridade só da Itália e pediu a convocação extraordinária do conselho europeu. Hoje os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reúnem em Luxemburgo. A reunião já estava marcada para tratar de outros assuntos, mas devido a esta emergência a pauta é a imigração.

Renzi destacou a necessidade de punir os traficantes de seres humanos e disse que 976 já estão presos em cárceres italianos. Nesta segunda-feira, foram detidos 24 homens de vários países africanos acusados de favorecer o tráfico de pessoas.

Bloqueio marítmo não é solução

Segundo organizações não governamentais, os transportadores são apenas a ponta do iceberg, pois a base do problema está nas guerras locais. Não é punindo os traficantes que se impedirá o fluxo de desesperados. O primeiro-ministro italiano disse que a solução não é o bloqueio marítimo no Mediterrâneo porque, paradoxalmente, poderia favorecer os traficantes de seres humanos criando um serviço de táxi para socorrer os imigrantes.

Segundo ele é necessário impedir a partida dos imigrantes, incrementando sistema de controle junto com a União Europeia e com as Nações Unidas para que as pessoas possam pedir o visto diretamente nos países de origem. No entanto, a realidade é que estes imigrantes fogem da fome e da guerra, muitos, desesperados, vivem em acampamentos, enquanto o pedido de vistos requer uma infra-estrutura com sistemas de controle, informática, pessoal especializado e, como sabemos, grande burocracia.

Muitas acusações tem sido feitas à operação Triton, coordenada pela Europa desde novembro passado e que faz a patrulha das fronteiras marítimas.
 

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