Libération defende a legalização da imigração na Europa

Capa do jornal francês Libération desta quarta-feira, 22 de abril de 2015.
Capa do jornal francês Libération desta quarta-feira, 22 de abril de 2015.

Os jornais desta quarta-feira (22) destacam as discussões na Europa sobre imigração, após a pior tragédia com imigrantes clandestinos no Mediterrâneo, que matou 800 pessoas no último domingo. Libération defende uma proposta radical: a legalização da imigração.

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Diante de tantas tragédias no Mar Mediterrâneo, os europeus devem enfrentar o fluxo migratório e saber gerenciar a questão humanitária, que é urgente. Mas é preciso, sobretudo, dar uma resposta política ao problema, afirma Libération.

Muitas ideias circulam, como o envio de drones para destruir, no litoral líbio, os barcos que podem se usados na travessia ou enviar patrulhas para capturar os atravessadores. Mas o jornal questiona se não seria melhor adotar um sistema que pudesse acolher esses imigrantes que fogem do caos em seus países em guerra e se arriscam no mar na esperança, justamente, de salvarem suas vidas. E se a Europa desse permissão para esses imigrantes buscarem trabalho temporário? pergunta Libération.

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O jornal encampa a ideia de legalização da imigração econômica defendida pela economista Emmanuelle Auriol. Ela propõe que a União Europeia venda vistos aos candidatos à imigração. O dinheiro que eles pagam aos atravessadores poderia ser melhor usado na Europa e o sistema poderia eliminar as máfias de traficantes de seres humanos. O diário afirma que está na hora de a Europa assumir que é uma terra de imigração.

Le Figaro também aborda o problema, mas citando o exemplo da Austrália que deveria ser seguido pela União Europeia. O premiê australiano Tony Abbot, entrevistado pelo jornal conservador, diz que a Europa tem uma única saída diante desse drama humano. O bloco deve que ter uma política dura contra os atravessadores. A UE tem que impedir a chegada dos barcos e repatriar sistematicamente todos os migrantes que chegarem pelo mar, ensina Abott. Duas visões opostas que estarão na mesa de negociações na cúpula extraordinária da União Europeia sobre imigração, marcada para esta quinta-feira (23).

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