UE/Imigração

Líderes da UE querem aval da ONU para destruir barcos de atravessadores na Líbia

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deixando a cúpula do Conselho Europeu em Bruxelas, em 23 de abril de 2015.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deixando a cúpula do Conselho Europeu em Bruxelas, em 23 de abril de 2015. REUTERS/Francois Lenoir

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia participaram nesta quinta-feira (23), em Bruxelas, de uma cúpula extraordinária do Conselho Europeu sobre o fluxo migratório histórico que vem acontecendo nos últimos dias. Foram anunciadas medidas políticas, econômicas e futuramente militares, já que o bloco estuda meios de destruir os barcos dos atravessadores na Líbia. A OIM (Organização Internacional para as Migrações) e várias ONGs ficaram decepcionadas com o resultado do encontro.  

Publicidade

O presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pretendem levar ao Conselho de Segurança da ONU o pedido de uma intervenção no território da Líbia, de onde partem os navios com os migrantes.

O objetivo é confiscar e destruir as embarcações utilizados por atravessadores sem escrúpulos, que exploram os migrantes e os fazem viajar em condições sub-humanas, sem nenhuma segurança. "Só pode haver uma intervenção europeia se for no contexto de uma resolução do Conselho da ONU", disse Hollande, que vai conversar sobre o assunto nesta sexta-feira (24) com o presidente russo Vladimir Putin.

Hollande afirmou que a União Europeia deve ajudar os países africanos a controlar suas fronteiras, pois "é preciso agir na causa do fenômeno que hoje deploramos, ou seja, o movimento migratório".

Aumento de recursos

A União Europeia vai triplicar o orçamento de sua operação de buscas e salvamento no Mar Mediterrâneo, denominada Triton. De €3 milhões o pacote passará para €9 milhões por mês. "Temos que agir depressa, e isso significa que temos que triplicar os recursos financeiros desta operação", declarou a chanceler alemã Angela Merkel. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que agora o orçamento da Triton vai ser igual ao da ex-missão italiana "Mare Nostrum".

Além de triplicar o orçamento, a operação Triton vai receber contribuições de várias nações. A França, que já participa da operação com um avião e três especialistas, vai enviar mais dois navios e um avião. O Reino Unido não integra a operação Triton, mas vai fornecer navios militares, entre eles o HMS Bulwark, um dos maiores navios de guerra do país, além de três helicópteros. A Bélgica ofereceu um navio de comando e apoio logístico. Outros países do bloco também vão ajudar, entre eles, a Alemanha, com dois navios, a Suécia, a Dinamarca e a Noruega, que não faz parte da União Europeia.

Atualmente, 21 dos 28 países-membros do bloco participam da Triton, cuja estrutura conta com sete navios, quatro aviões, um helicóptero e 65 funcionários.

Fronteiras

François Hollande observou que a União Europeia deve ajudar os países africanos a controlar suas fronteiras, pois "é preciso agir na causa do fenômeno que lamentamos, ou seja, o movimento migratório".O presidente francês também confirmou que os países do bloco dividirão a responsabilidade de receber os imigrantes que forem aceitos como refugiados.

Críticas das ONGs

A demora do bloco europeu em reagir ao drama dos naufrágios provocou uma chuva de críticas da ONU e das organizações em defesa dos Direitos Humanos.

Em um comunicado, a ONU e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), diz que "a resposta da União Europeia deve ir além do tratamento minimalista atua, que consiste em travar a chegada dos migrantes e refugiados".

A Anistia Internacional considera as propostas de Bruxelas como "uma resposta insuficiente e vergonhosa à crise dos migrantes, que não terminarão com o drama no Mediterrâneo".

Desde o começo deste ano, a ONU estima que 35.000 pessoas tentaram atravessar o Mar Mediterrâneo para fugir da pobreza, das violências e das guerras. A maioria partiu da costa líbia. O balanço é trágico: cerca de 1.800 migrantes morreram afogados.

Novo naufrágio

Nesta quinta-feira, 80 homens foram salvos quando a embarcação de borracha que estavam afundou, na costa da Líbia. Outras 220 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, desembarcaram em Catânia, na Sicília, depois de viajarem em condições deploráveis.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.