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Fato em Foco

Terremoto no Nepal faz surgir fluxo de refugiados para a Índia

Áudio 05:58
Avião da Força Aérea indiana transporta feridos de terremotos do Nepal, na quinta-feira, 30 de abril de 2015.
Avião da Força Aérea indiana transporta feridos de terremotos do Nepal, na quinta-feira, 30 de abril de 2015. REUTERS/Athit Perawongmetha
Por: Leticia Constant

A política instável do governo do Nepal, sem consenso sobre questões fundamentais como segurança, gerenciamento de tragédias e serviços públicos, tem repercutido seriamente na situação do país após o terremoto. Entre caos e destruição, a população espera uma ajuda que o governo atual já assumiu que não tem condições de dar.

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O Nepal vive um dos maiores dramas de sua história, com milhares de mortos, feridos e desaparecidos após o terremoto de 7,8 na escala Richter, ocorrido no dia 25 de abril.

A situação de caos e destruição traz à tona a instabilidade política do pequeno país montanhoso, encravado entre a China e a Índia, na Cordilheira do Himalaia. O contexto acaba impactando na administração da tragédia de proporções gigantescas.

História

Durante muitos séculos, o Nepal foi considerado um reino hindu. A partir da década de 60, sofrendo influência de partidos comunistas de orientação maoísta e indiana, começa a haver uma contestação política dentro do próprio país desse modelo de monarquia; e não somente de monarquia mas do fato de o Estado ser definido religiosamente como Estado hindu. "Entre a década de 90 e o começo do ano 2000, o que se  observa é uma guerra civil, uma tentativa  para depor essa monarquia. Depois há todo um processo de diálogo interno para tentar definir como o Estado vai se organizar, além de uma tentativa de aliança entre os grupos políticos de esquerda e uma tentativa também de redefinir essa constituição, como o Estado vai ser perante os seus cidadãos e perante os Estados do entorno", explica a professora de História da Ásia, Mirian Oliveira, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, no Paraná.

Coalizões políticas

Em 2008, na eleição da primeira Assembleia Constituinte após a monarquia, o Partido Comunista Unificado do Nepal, maoísta, tinha a maioria. Sem consenso, a Assembleia foi dissolvida quatro anos depois. Em 2013, foi formada uma coalizão com os conservadores do Congresso Nepalês e o Partido Marxista-Leninista Comunista Unido do Nepal, que governa atualmente. Mais uma vez, a falta de entendimento entre os partidos sobre questões relevantes para o país gerou a atual instabilidade política, que afeta seriamente o gerenciamento da crise gerada pelo terremoto.

Refugiados

A falta de políticas públicas e a penúria por que passa a população depois do tremor de terra começa a gerar um novo fenômeno: os nepaleses e os indianos que viviam no Nepal estão buscando refúgio na fronteira. A questao dos deslocamentos humanos começa a ser mais premente; não só os indianos, que estão voltando para o território, mas também de pessoas que começam a se tornar refugiadas, em busca de melhores condições de vida. "Essa crise gerada pelo terremoto causa um estremecimento no sentido da própria organização da vida das comunidades locais e das possibilidades de vida futura. Então, principalmente na fronteira entre a Índia e o Nepal, estão se constituindo vários pontos de apoio para tentar atender a esse fluxo de pessoas que, provavelmente, vai se intensificar, de refugiados do Nepal para a Índia", diz a professora.

Nepal na mira da Índia e da China

Índia e China têm uma disputa histórica pela influência no Nepal, não somente por sua localização estratégica como também por interesses econômicos. "A Índia sempre teve mais influência sobre o Nepal, até por ele ter sido  definido como um reino hindu por um longo período de tempo, e também do ponto de vista econômico e político", explica Mirian Oliveira, ressaltando que a China tem buscado ampliar sua presença também do ponto de vista econômico. Em 2014, o PIB do Nepal foi de US$20 bilhões   apenas US$1 per capita.

 

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