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Linha Direta

Futura prefeita de Barcelona pretende transformar apartamentos vazios em alojamentos sociais

Áudio 04:26
Ada Colau disfarçada de heroína "Supervivienda" (supermoradia) boicota um comício durante as municipais de 2007.
Ada Colau disfarçada de heroína "Supervivienda" (supermoradia) boicota um comício durante as municipais de 2007. Captura vídeo You tube
9 min

Aos 41 anos, Ada Colau deve se tornar a primeira mulher de extrema-esquerda a ser prefeita de Barcelona, a segunda maior cidade espanhola. Ela ficou conhecida em 2009 por sua luta contra os despejos em meio à bolha imobiliária na Espanha e à crise das hipotecas. Na Espanha, a lei exige que as pessoas continuem pagando a hipoteca, mesmo depois de despejadas. A provável nova prefeita pretende transformar apartamentos vazios em alojamentos sociais.

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Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona
 

As eleições do domingo (24) deixaram claro que os catalães, assim como a maioría dos espanhóis, querem mudanças e que o social seja a prioridade das políticas de governo. Os resultados destas eleiçoes podem ser considerados um termômetro das eleições gerais previstas para novembro e das regionais da Catalunha em setembro. Ada Colau deverá assumir a prefeitura de Barcelona depois de sua coalizão de esquerda ter obtido um vereador a mais que o partido nacionalista conservador Convergència i Unió, liderado pelo atual prefeito de Barcelona, Xavier Trías.

Ada Colau tem 41 anos, um filho nascido em 2011 fruto do seu relacionamento com Adrià Alemany, um parceiro de ativismo e economista, e é uma pessoa “sem papas na língua”, com uma oratória convincente e rápida no gatilho. Ela usa uma linguagem simples e direta que conecta muito bem tanto com jovens e participantes do movimento dos “indignados” tanto com a classe média e trabalhadora que está cansada da velha guarda política salpicada de casos de corrupção, das políticas de austeridade e da crise que mantém o país com uma taxa de 25% de desempregados.

Ada Colau ficou conhecida mesmo há alguns anos como a líder da Plataforma de Afetados pela Hipoteca (PAH), um movimento criado em 2009 para impedir o despejo de inquilinos que nao conseguem pagar a hipoteca aos bancos, devido à crise espanhola, consequência da “bolha imobiliária”. Mas o ativismo de Ada Colau vem de longa data: ela participou dos movimentos contra a guerra do Golfo Pérsico e antiglobalização e, inclusive, existem imagens de alguns anos atrás da provável nova prefeita de Barcelona fazendo boicote numa palestra sobre moradia vestida de heroína de historia em quadrinhos, com capa de supermulher e máscara. A palestra, curiosamente, era do Partido Verde, que hoje integra a coalizão que ela lidera.

Primeiras medidas

Ada Colau anunciou na segunda-feira (25) o seu plano de choque para os primeiros meses de mandato: entre outras medidas, vai multar os bancos que mantiverem vazios apartamentos confiscados, garantir una renda complementar às pessoas sem recursos e revisar os salários dos funcionários, estabelecendo um salário máximo de € 2.200 mensais (cerca de R$ 7.500).

Mas a coalizão de Ada Colau nao possui maioria absoluta e precisa fazer acordos com pelo menos dois partidos para governar. Ela anunciou estar disposta a conversar com todas as forças de esquerda, no caso o Partido Socialista e os independentistas CUP e ERC, deixando de fora o conservador Partido Popular e o emergente Cidadãos, considerado de centro-direita e uma versão jovem e maquiada do Partido Popular.

No entanto, a jovem prefeita de Barcelona diz que, se nao conseguir acordos, vai começar o mandato assim mesmo. Nao lhe faltam razões para acreditar que o caminho se faz dando o primeiro passo: em fevereiro deste ano – ou seja, há apenas 3 meses-, Ada Colau apresentou a coalizão eleitoral Barcelona em Comum (BComú), formada por diversos partidos de esquerda, entre eles o Podemos, o partido de Pablo Iglesias, uma das novas lideranças políticas que mais cresceu no último ano. E, em apenas três meses, Ada Colau ganhou as eleiçoes.

Independência da Catalunha

Ada Colau nao é independentista, mas defende que o povo catalão seja consultado em plebiscito sobre o que deseja para o seu futuro. Sua formação em Barcelona superou os partidos pró-independência, o que foi visto como um revés para os separatistas catalães. De acordo com os analistas, o processo soberanista catalão pode se complicar, nao só pela derrota do partido nacionalista que governava a cidade de Barcelona até agora, mas pela fragmentação do voto independentista no resto da Catalunha.

 

 

 

 

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