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Linha Direta

Aumento da pobreza em Nova York pode prejudicar corrida presidencial de Hillary Clinton

Áudio 04:42
Bairro de Harlem, em Nova York.
Bairro de Harlem, em Nova York. Flickr/ Marionzetta
10 min

A maior metrópole dos Estados Unidos também é um poço de desigualdade social. Capital informal do planeta, cidade onde milionários do mundo inteiro buscam refúgio, especialmente nos bairros mais afluentes de Manhattan e do Brooklyn, Nova York também é um escandaloso bolsão de pobreza no coração da maior potência militar do planeta.

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Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York.

No sábado (23), a Comunity Action Association, um órgão público do estado de Nova York, divulgou números estarrecedores: 30% dos idosos latinos, 25% dos asiáticos, 20% dos negros e 15% dos brancos de terceira idade estão vivendo abaixo da linha pobreza na cidade, definida como US$ 11.354 por ano.

O aumento de moradores de rua, de crimes e do números de pobres é algo que mancha a imagem de Nova York e que também não cai bem para a favorita à sucessão de Barack Obama entre os governistas, a ex-secretária de Estado e primeira-dama Hillary Clinton, que foi senadora pelo estado de Nova York, tem o quartel-general da campanha presidencial localizado no Brooklyn e é muito próxima do prefeito Bill De Blasio, que comandou sua campanha para o Senado na cidade.

No ano passado, a prefeitura já havia anunciado que 46%, ou quase metade da população da cidade vive no limite da pobreza estabelecido pelos economistas americanos, algo em torno de R$ 2.900 por mês. Nova York é a maior cidade dos EUA e também um símbolo do poderio norte-americano, com Wall Street, o Empire State, a Broadway, o novo World Trade Center e a Estátua da Liberdade. E, no entanto, o tamanho de sua pobreza é vergonhoso.

Desde a crise financeira global, em 2008, passando pela recessão e a recuperação lenta dos últimos anos, a cidade se viu em meio a uma combinação tenebrosa: salários achatados, aumento do preço do aluguel – que, entre 2000 e 2012 foi de, em média, 75% – e a redução de benefícios sociais nos governos Giuliani e Bloomberg. O resultado foi o aumento da pobreza em toda a cidade, mas não de forma homogênea.

Por etnias

A população de origem asiática, concentrada no Queens, foi a que mais sofreu, com 29% dos adultos, ou 310 mil pessoas, classificadas como pobres, um aumento de 7% em relação a 2008. Entre os de origem latino-americana, 23% eram pobres em 2008 e o número aumentou para 26%. Os negros pobres passaram de 21% para 23%, e os brancos de 13% para 14%, ou seja, não houve redução em nenhum grupo étnico.

Dos cinco distritos que formam Nova York, o mais pobre é o Bronx, com 27% de pobres. O Brooklyn tem 23% de pobres, o Queens 22% e Manhattan e Staten Island são os distritos menos desiguais, com 15% de moradores vivendo abaixo da linha de pobreza.

É um universo que fica escondido por trás das muitas atrações turísticas da cidade que é, também, um grande shopping center a céu aberto. Olhar para este outro lado da cidade foi um dos pontos de maior destaque da campanha do democrata Bill de Blasio, que assumiu a prefeitura no ano passado com um discurso de combate à desigualdade social.

Prefeito criticado

Bill de Blasio, um dos principais quadros da ala esquerda do Partido Democrata, está vivendo um dos momentos mais delicados de sua gestão. Um ano e meio depois de assumir o governo de Nova York, ele enfrentou a ira da ala progressista do partido governista ao lançar, em Washington, um programa de combate à pobreza de âmbito nacional quando, dizem seus críticos, a cidade segue partida ao meio.

Das promessas de campanha, ele conseguiu aprovar o pré-escolar gratuito, apresentou um programa de construção de 200 mil unidades de habitação com alugueis regulados, subvencionados pela prefeitura, e aumentou os dias remunerados em caso de doença para trabalhadores da rede municipal. Mas o número de moradores de rua ou desabrigados na cidade aumentou em quase 4 mil indivíduos, chegando a 68 mil pessoas sem teto.

Criminalidade

A prometida reforma da polícia não aconteceu e, de acordo com dados anunciados esta semana, desde que De Blasio assumiu o governo, o número de crimes violentos em Nova York, ainda ínfimos se comparados com as grandes cidades brasileiras, por exemplo, aumentaram em 45%.

Também se critica a dificuldade do prefeito de conseguir que os grandes empreiteiros da cidade façam mais concessões em seus projetos, como uma parcela de unidades reservadas para aluguéis ou financiamentos mais baratos.

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