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Linha Direta

Prisões são apenas o início da lavagem de roupa suja na Fifa

Áudio 07:53
No Congresso da Fifa, o presidente Joseph Blatter tentará sua reeleição pela quinta vez, apesar das suspeitas e pressão que pesam sobre sua pessoa.
No Congresso da Fifa, o presidente Joseph Blatter tentará sua reeleição pela quinta vez, apesar das suspeitas e pressão que pesam sobre sua pessoa. REUTERS/Arnd Wiegmann

Apesar de estar no olho do furacão com o escândalo de corrupção que abalou a Fifa na quarta feira (27), Joseph Blatter, de 79 anos, deve ser eleito nesta sexta feira (29) presidente da FIFA para um quinto mandato consecutivo. Mesmo se a imprensa internacional e vários setores dos meios futebolísticos peçam que ele "dê o fora", como diz a manchete do jornal alemão Bild. As 209 federações votarão para eleger o presidente da FIFA a partir das 16h30 em Zurique (11h30 em Brasília).

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Rui Martins, correspondente da RFI na Suíça

Mesmo que o ex-artilheiro do futebol francês Michel Platini tenha afirmado numa entrevista que iria utilizar a noite de ontem e esta madrugada para contar os presidentes de federações que votam para a presidência da Fifa, é muito improvável que tenha conseguido. Embora tenha se deflagrado esse enorme escândalo, Blatter montou um esquema que lhe garante a maioria absoluta dos votos, reunindo principalmente as federações africanas e asiáticas.

A votação funciona assim: no primeiro escrutínio, vence quem tiver dois terços dos votos. São 209 federações. Então 209 votos divididos por 3 e multiplicados por 2, temos 139 votos. Ninguém acredita que o príncipe Ali da Jordânia reúna esse total na primeira rodada ou primeiro turno da votação. Ora, depois a coisa se complica, porque será necessário maioria absoluta, ou seja, metade de 209, ou o total de 104 votos mais um. Total enorme, considerado impossível pelos que conhecem a Fifa por dentro e a maneira como Blatter armou seu esquema nesses quatro anos de mandato.

Presidente da CBF

O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, deixou apressadamente Zurique, tomou um avião e já chegou ao Rio de Janeiro, mas ninguém se arriscou a tentar entender o porquê. A explicação mais simples existente é a de que devem circular rumores de novas prisões em Zurique, mesmo porque Blatter disse isso no seu comunicado de ontem à imprensa, que os próximos meses serão ainda complicados e difíceis para a Fifa.

Diante disso, depreende-se que Marco Polo del Nero sentiu no ar o risco de ser também preso e de ir fazer companhia a José Maria Marin numa prisão de Zurique. Embora fazer companhia seja uma maneira de dizer, pois a polícia suíça colocou os sete presos da quarta-feira em prisões diferentes a fim de evitar contatos entre eles.

Mesmo sem a presença de Marco Polo del Nero, a CBF ainda pode votar na eleição para presidente da Fifa, caso a entidade escolha um representante. Os presidentes da Federação Goiana, André Pita, e Cearense, Mauro Carmélio, estão em Zurique e poderiam votar pela CBF.

Extradição de Marin

A situação se complicou muito para Marin, que foi governador de São Paulo em 1983. O senador Romário, que conhece bem o mundo o futebol, pediu e obteve uma CPI para se levantar a corrupção dentro da FIFA. Ao mesmo tempo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, também pediu para o Ministério Público - e isso inclui a terrível Polícia Federal - uma investigação sobre as irregularidades denunciadas pelos EUA e pela Suíça.

Ou seja, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Mesmo se Del Nero tirou ontem até o nome de Marin da sede da CBF, isso não adianta muita coisa, pois agora o Brasil, para não passar mais vergonha internacional, vai ter de fazer a limpeza na CBF. Para isso, conta com o apoio do Pelé e de toda imprensa esportiva, porque, como sabemos, o futebol é rei no Brasil.

E pior ainda, como Hawilla denunciou, como ocorreu no caso Lava Jato, dando não só nome como documentos para a Justiça americana, é até provavel que sejam ainda incomodados o ex-dirigente da CBF Ricardo Teixeira, que vive a maior parte do tempo em Miami, fácil portanto de pegar, e até Havelange. Começou portanto a lavagem de roupa suja da Fifa, e o tanque e a máquina de lavar roupa vão ficar com muita água suja.

Prisão dos dirigentes

Segundo revelações, a prisão dos dirigentes da Fifa foi um caso típico de delação premiada. Um dos responsáveis teria sido o brasileiro José Hawilla, criador e diretor da empresa Trafic. Hawilla foi localizado pelo FBI por depositar nos bancos americanos o total das propinas recebidas nas cessões de direitos de transmissão dos jogos das diversas Copas da Fifa, como as Copas das Américas. E foi também essa a razão pela qual os EUA intervieram, ou seja, pelo fato de terem sido utilizados bancos americanos e o território americano para realizar essas transações criminosas.

Embora a imprensa tenha divulgado que o presidente Putin denunciou as prisões da Fifa como um ato americano contra ele e contra a próxima Copa do Mundo na Rússia, essa generalização é um tanto excessiva pois o crime se cometeu nos EUA. E a prisão na Suíça ocorreu porque o país também tinha aberto um inquérito e determinado prisões que se juntaram ao inquérito americano. Além disso, a Suíça tem relações próximas com os EUA, isso desde o caso dos bancos e das contas dos judeus nos bancos suíços, o que facilitou essa ação conjunta, espetacular e de supresa.

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