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Linha Direta

Tensão persiste entre as duas Coreias 65 anos depois da guerra

Áudio 05:46
A zona desmilitarizada entre as duas Coreias.
A zona desmilitarizada entre as duas Coreias. Kèoprasith Souvannavong / RFI

A península coreana marca nesta quinta-feira (25) os 65 anos do início da guerra das Coreias. O conflito, que deixou cerca de três milhões de mortos entre militares e civis, lançou um período de instabilidade e tensões que persiste até os dias de hoje na região. Mais de três mil pessoas participaram de uma cerimônia oficial em Seul, onde o primeiro-ministro sul-coreano, Hwang Kyo-Ahn, pediu que a Coreia do Norte seja um ator responsável no cenário internacional e trabalhe pela paz.

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Luiza Duarte, correspondente da RFI na China

A cerimônia militar em Seul marcou as comemorações dos 65 anos do início da guerra na península coreana, na Coreia do Sul. Diante de veteranos e membros do governo, o primeiro-ministro sul-coreano, Hwang Kyo-Ahn, disse em um discurso transmitido ao vivo, que espera que a Coreia do Norte se torne “um membro responsável da comunidade internacional e trabalhe em conjunto para a paz e prosperidade comum da península coreana”.

Hoje também acontece no país uma passeata anti-Coreia do Norte. Já Pyongyang lançou um apelo às armas contra os "imperialistas norte-americanos", de acordo com um comunicado divulgado na quinta-feira.

Guerra das Coreias

Em 25 de junho de 1950, o norte atravessou o paralelo 38º e invadiu o sul da península coreana. Os Estados Unidos entraram na guerra para ajudar a Coreia do Sul, enquanto a China, com o apoio da União Soviética, lutou ao lado da comunista Pyongyang. Tropas da ONU vindas de 15 países foram enviadas para a zona de conflito.

A guerra terminou em 1953 com a assinatura de um armistício, mas até hoje os países não firmaram um tratado de paz, o que implica que tecnicamente eles permanecem em guerra. O conflito fez mais de cinco milhões de exilados, muitas famílias continuam separadas e a relação entre as duas nações é bastante delicada.

Tensão constante

O programa nuclear norte-coreano é uma fonte de preocupação constante para a comunidade internacional. Além disso, os frequentes testes balísticos e os exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul com os Estados Unidos ajudam a manter a tensão viva entre os vizinhos. Desde o fim do conflito, cerca de um milhão de soldados permanecem em seus respectivos lados da zona desmilitarizada, que divide a península.

Na terça-feira (23), um novo episódio veio aquecer a rivalidade. Foi aberto em Seul um escritório das Nações Unidas para monitorar violações de direitos humanos na Coreia do Norte. A recomendação para a criação do posto veio depois da publicação, no ano passado, de um relatório baseado no depoimento de centenas de norte-coreanos exilados. O documento denuncia a existência de campos com mais de 120 mil prisioneiros, de execuções sumárias, torturas e estupros. Segundo a ONU, investigadores ambicionam levar o líder norte-coreano, Kim Jong-un, à justiça.

A missão da ONU foi lançada, apesar das ameaças de "punição impiedosa" contra a Coréia do Sul e de consequências “catastróficas” para as relações bilaterais, feitas por Pyongyang, que denuncia uma campanha de difamação. Em protesto, o país anunciou que vai boicotar os Jogos Universitários Internacionais, previstos para acontecer no próximo mês na cidade de Gwangju, na Coreia do Sul.

Hoje, na data do aniversario da guerra, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul divulgou uma nota dizendo que o país vizinho instalou bóias perto da fronteira marítima comum para controlar barcos de pesca. A linha de separação do território no Mar Amarelo é contestada por Pyongyang, que defende uma fronteira mais ao sul. A zona é permanentemente monitorada e Seul denuncia violações constantes. Quatro delas registradas apenas este mês.

Tentativas de reaproximações

Desde 2013, as relações com a China, principal aliada da Coreia do Norte, têm se deteriorado. O país precisa de dinheiro e sofre com sanções e falta de investimentos estrangeiros e tem buscado maior contato com o exterior. Na semana passada, a Coréia do Norte teria tentado uma reaproximação apresentando condições para a retomada do diálogo com a vizinha, tais como a suspensão dos exercícios militares conjuntos com os norte-americanos.

No entanto, a tentativa não foi bem sucedida. Segundo a agência de notícias sul-coreana, Yonhap, Seul expressou pesar em relação a iniciativa de Pyongyang de definir condições prévias para as negociações. Ainda nesta quinta-feira, após pedir que a Coreia do Norte retome as negociações multilaterais para seu desarmamento nuclear, que estão paralisadas, o ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Yun Byung-se, afirmou que para seu país, a "porta para o diálogo intercoreano continua aberta".
 

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