Questão de fundo no referendo é saber se Grécia quer ficar na zona do euro

O referendo será ralizado neste domingo (5).
O referendo será ralizado neste domingo (5). REUTERS/Kostas Tsironis

O referendo da Grécia neste domingo (5) ocupa as principais manchetes da imprensa francesa que circula deste final de semana. Os eleitores deverão dizer "sim" ou "não" às exigências dos credores de Atenas para continuar ajudando financeiramente o país, mas, para os jornais farnceses, é a permanência do país na zona do euro que será decidida na votação.  

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Para Le Figaro, o referendo coloca a Europa e a zona do euro em suspense. Na véspera da votação, que segundo o diário vai definir o futuro da Grécia no bloco, a União Europeia retém seu fôlego. O jornal conservador francês se uniu a outras publicações de outros países para abordar todos os aspectos e dúvidas sobre referendo.

A consulta popular, convocada às pressas pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, será sobretudo um plebiscito para dizer se os gregos querem ou não se manter n a zona do euro, avalia o diário. O suspense está garantido, observa o jornal diante das previsões das últimas sondagens. "Oxi ou nai. Sim ou não.Em apenas uma palavra, cerca de 10 milhões de eleitores vão definir o futuro de seu país", escreve o jornal.

Apesar de que os gregos devem responder a uma questão técnica - sobre a exigência do trio de credores (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu) feita em25 de junho em troca de nova parcela de ajuda financeira - a votação significa uma decisão de querer ou não se manter na zona do euro, afirma o jornal conservador.

Além da pressa, o pedido do premiê para os gregos votarem "não" confundiu os gregos diante da perspectiva de um acordo durante a semana. Às vésperas da eleição, a tensão é extremamente palpável na Grécia.

Com Tsipras, a União Europeia lida com um político que não tem medo da ruptura, algo novo para os líderes europeus. A zona do euro parece à beira do precipício, embora seus membros garantem que uma saída da Grécia não irá demolir o "edifício da moeda única".

Mas a verdade é que ninguém sabe realmente o que pode acontecer no futuro, sugere Le Figaro. No entanto, segundo o jornal, será preciso ter cabeça fria porque o resultado das urnas não irá solucionar o problema grego. Le Figaro vê dois cenários bem diferentes com a vitória do "sim" ou do "não", e conclui que seja qual for o vencedor, Atenas vai precisar dos europeus.

Questão difícil para a população

Libération considera o referendo determinante, mas afirma que foi organizado em meio a uma grande confusão. A pergunta feita para a votação não é clara e para os partidários do "sim", a verdadeira questão colocada não é tanto em relação às exigências dos credores, mas uma decisão sobre o país querer se manter ou não na zona do euro.

Libération ouviu diferentes eleitores cujas respostas refletem o posicionamento confuso sobre o referendo. Um deles diz que vai votar "sim" para dizer não ao primeiro-ministro, criticado por não ter deixado mais cedo a mesa de negociações. Uma empregada doméstica suspeita que o governo vai aproveitar a consulta popular para aplicar mais medidas de austeridade do que as previstas em uma proposta de acordo oferecida no final do mês passado.

Para Libé, o texto submetido ao voto dos eleitores faz referência a pontos muito técnicos e dificilmente compreensíveis para a população. Libération diz que os europeus estão errados quando se opõem ao referendo. Como continuar a integração europeia sem a consulta do povo?, questiona o diário. A verdadeira pergunta que deve ser feita, segundo o jornal, é: é necessário ou não um acordo?. O jornal mostra vários cenários para o referendo, e em todos eles, há uma única saída: continuar negociando.

 

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