Sob pressão, Dilma rejeita hipótese de demissão, diz Les Echos

A presidente Dilma Rousseff acusa uma parte da oposição de manipular a opinião pública.
A presidente Dilma Rousseff acusa uma parte da oposição de manipular a opinião pública. REUTERS/Stephen Lam

O jornal econômico francês Les Echos publica em sua edição desta quinta-feira (9) uma matéria de seu correspondente em São Paulo, Thierry Ogier, que ressalta a grande pressão que a presidente Dilma Rousseff vem sofrendo de sua oposição. "Na corda bamba", Dilma garante que não se deixará intimidar e não pedirá demissão, ressalta o diário.

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O jornalista lembra que na entrevista que Dilma concedeu ao jornal Folha de São Paulo, nessa semana, antes de partir para a cúpula dos Brics, ela repetiu três vezes que não vai deixar o governo. Para Les Echos, essa é a forma que a presidente tem de "colocar os pingos nos is" e se defender das acusações de corrupção que vem marcando seu segundo mandato.

A atitude da chefe de Estado brasileira, no entanto, não serve para acalmar os ânimos, mas para aprofundar a crise política no Brasil, avalia o jornal. "Seis meses depois do início de seu segundo mandato, a popularidade da presidente caiu para 15% e a de seu governo para 9%", escreve Les Echos, lembrando que o motivo da queda é o famoso escândalo de corrupção da Petrobras.

"Encurralada"

O jornal reproduz uma declaração do líder da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB), que acredita que Dilma está "encurralada" e que prevê que ela não vai terminar seu segundo mandato. Mas, entrevistado pelo jornalista francês, o cientista político brasileiro Luiz Felipe de Alencastro descarta a possibilidade de impeachment da presidente.

Les Echos lembra que além do escândalo da corrupção da Petrobras, o Tribunal de Contas da União (TCU) ainda não obteve resposta sobre as irregularidades nas contas de 2014. O TCU pediu uma série de esclarecimentos sobre operações que podem ter violado a Lei da Responsabilidade Fiscal. Se for o caso, o Congresso poderá se pronunciar sobre a destituição de Dilma, ressalta o diário econômico.

De sua parte, Dilma continua acusando uma parte da oposição de manipular a opinião pública e promete não se deixar intimidar. Para alguns, ela erra em adotar esse tom de combate em seu discurso porque, desta forma, se coloca no centro da crise. "Isso lembra Collor", diz o senador centrista Romero Jucá, citado por Les Echos, sublinhando que o ex-presidente foi destituído em 1992 por corrupção.

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