Desconfiança dos europeus com a Grécia vai continuar por muito tempo

A Grécia se encontra praticamente sobre tutela com este 3° plano de resgate proposto pela Zona do Euro.
A Grécia se encontra praticamente sobre tutela com este 3° plano de resgate proposto pela Zona do Euro. REUTERS/Alkis Konstantinidis

As difíceis negociações dos europeus sobre a crise grega que colocaram à prova as divergências entre França e Alemanha sobre o novo pacote de ajuda financeira a Atenas dominaram as manchetes da imprensa francesa desta segunda-feira (13).

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Para o jornal Le Figaro, a Grécia provocou "um abismo entre a França e a Alemanha". Enquanto o presidente francês François Hollande se esforçava para manter Atenas na zona do euro, a chefe de governo alemã Angela Merkel e seus aliados, insistiram nas ações concretas de Alexis Tsipras antes de começar a discutir um terceiro plano de ajuda aos gregos.

Segundo Le Figaro, essa crise mostra “duas Europas” totalmente diferentes. Uma tem o perfil alemão: intransigente e contábil. Outra tem o perfil francês: mais política e visando acomodar interesses diversos. De qualquer forma, o bloco europeu, sua coesão e seus valores é que estão sendo observados por todo o mundo.

Le Figaro defende que o drama grego sirva de lição para a União Europeia ter regras mais claras, inclusive para poder tirar um país da zona do euro sem provocar grandes traumas.

Críticas à Alemanha

Para jornal Libération, a intransigência de Angela Merkel e de seus aliados impediu uma saída para a crise grega que até parecia possível no sábado (11). A postura fez ressurgir a perspectiva de uma saída de Atenas da zona do euro. Segundo Libé, agora é o governo alemão que "toma a Europa como refém, diante da pressão dos contribuintes do país que não querem mais pôr a mão no bolso para ajudar novamente a Grécia".

A falta de confiança no governo grego provocou muitas reviravoltas e, segundo o editorial, "está difícil fazer uma leitura serena desta crise sem precedentes na Europa".

Libération denuncia o egoísmo de países que apostaram na saída da Grécia da zona do euro e considera que as discussões deveriam permitir aos gregos sair do buraco em que estão e resgatarem a confiança que lhes falta no momento.

Referência histórica

O jornal econômico Les Echos diz que a batalha desse domingo sobre o futuro da Grécia foi "digna de Homero", autor das famosas epopéias Ilíada e Odisséia. Os líderes mostraram muitas divergências e não conseguiram decidir sobre uma saída da Grécia ou um novo plano de ajuda que pode passar de € 80 bilhões.

Os encontros dos ministros das Finanças da zona do euro durante todo o final de semana foram em “um ambiente de altíssima tensão”. O editorialista do jornal, Nicolas Barré, estima que o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras está “minando os princípios europeus: ele quer se manter na zona do euro, mas sem cumprir suas regras”. Só agora, que se vê sem dinheiro para pagar o funcionalismo, Tsipras promete fazer reformas que até agora combateu.

“Ele está ganhando tempo ou sendo sincero? Não se pode questionar as dúvidas lançadas sobre um governo que promete adotar um programa que foi rejeitado em referendo”, escreve Les Echos. Essas dúvidas irão complicar por muito tempo as relações da Grécia com os outros países europeus, conclui.

 

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