Grécia saiu derrotada e vai pagar caro por acordo com credores

Gregos diante do Parlamento de Atenas.
Gregos diante do Parlamento de Atenas. REUTERS/Alkis Konstantinidis

A perda de parte da soberania representa uma grande derrota da Grécia nas negociações com seus credores. Esta análise domina as manchetes da imprensa francesa nesta terça-feira (14), um dia depois da conclusão de um acordo entre Atenas e os demais países da zona do euro. 

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Em sua manchete, Libération diz que o acordo representa uma "derrota nacional" para a Grécia. O documento evita a temida saída do país da zona da euro, mas significa que o governo ficará sob tutela dos seus credores. Por isso, muitos consideram um verdadeiro "golpe de estado financeiro".

Segundo o Libé, o trio de credores de Atenas obteve mais do que a capitulação do primeiro-ministro Alexis Tsipras: a intrasigência dos europeus e do FMI levaram a Grécia a abrir mão de parte de sua soberania.

O texto, denuncia o jornal, estabelece que o governo grego deve primeiro consultar e aguardar a aprovação de seus projetos de lei pelo trio de credores antes mesmo de apresentá-los ao Parlamento. "Raramente esse tipo de tutela terá sido imposto no interior de um conjunto de países em tempos de paz", ressalta o jornal.

Em editorial, o Libération afirma que essa perda parcial da soberanina grega ofuscou a questão que realmente interessa: esse acordo vai permitir à Grécia sair da miséria?

Grécia ainda pode sair da zona do euro

Para o jornal Le Figaro, o compromisso assinado pelo premiê Tsipras impõe um plano de austeridade terrível, além de colocar a Grécia sob tutela de seus credores. O problema é que em troca dessa ajuda de mais de € 86 bilhões, o país tem que seguir a cartilha da troika formada pelo Banco Central Europeu, a União Europeia e o FMI. Qualquer desvio de conduta pode levar o país a ser excluído quase automaticamente da zona do euro, alerta o jornal.

Em sua manchete, Le Figaro afirma que a Grécia vai pagar um preço muito caro por esse novo plano de resgate. Mais do que um acordo definitivo, os 19 países da zona do euro conseguiram sobretudo um calendário de ações no qual ainda existem muitos pontos de interrogação, avalia Le Figaro. Atenas foi salva da falência, mas não de seus credores. Alexis Tsipras, eleito para acabar com a "ditadura da troika", agora está com as mãos e os pés amarrados e se vê obrigado a adotar medidas não negociáveis.

França intermedeia, Alemanha dá as cartas

Le Figaro alerta para o tom triunfalista do presidente François Hollande nas negociações. Certamente, a mediação do chefe de Estado francês permitiu manter a Grécia na zona do euro, mas foi a Alemanha e seus aliados que impuseram as condições e o caminho a seguir.

Segundo Le Figaro, o exemplo dos gregos serve para todos os países do bloco: quando a União Europeia se vê obrigada a ajudar financeiramente um de seus membros, ela o faz pagar, mas cobra um preço bem alto.

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