Imprensa francesa ressalta incertezas em acordo histórico entre Irã e grandes potências

Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro, La Croix, L'Humanité e Les Echos desta quarta-feira, 15 de julho de 2015.
Capa dos jornais franceses Libération, Le Figaro, La Croix, L'Humanité e Les Echos desta quarta-feira, 15 de julho de 2015.

Sem surpresa, o acordo internacional histórico para controlar o programa nuclear iraniano está estampado na capa dos jornais franceses desta quarta-feira (15). A imprensa francesa em peso concorda que o compromisso assinado ontem (14) entre as potências ocidentais e o Irã abre uma nova era nas relações diplomáticas com Teerã, mas os diários ressaltam algumas incertezas.

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Para Le Figaro, o compromisso diplomático sobre o programa nuclear iraniano marca a volta de Teerã ao cenário internacional. O acordo, assinado em Viena entre o Irã e os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, é um início. Ele permite que a República Islâmica reate os laços com Washington e com o mundo.

Em troca de dez anos de suspensão do polêmico programa nuclear, o Ocidente promete o fim progressivo das sanções contra os setores bancário e petrolífero do país, o que deve gerar ganhos de cerca de US$ 100 bilhões ao Irã. Mas o documento inquieta e reacende as tensões com Israel e com os países sunitas do Golfo, afirma o jornal conservador.

Os países árabes temem que Teerã reforce seu apoio ao regime sírio e às comunidades xiitas do Oriente Médio, como o grupo Hezbollah libanês. Israel denuncia um "erro histórico" e vai fazer lobby para que senadores democratas votem com os republicanos contra o acordo no Congresso norte-americano.

Potência regional

Camille Grand, especialista em estratégia, entrevistado por Libération, lembra que o Irã já é uma potência regional e não vai se transformar em um parceiro natural do dia para a noite. Ele ressalta que o acordo trata somente do programa nuclear iraniano, mas que outros temas, como os direitos humanos, o apoio ao terrorismo, continuam em suspenso e vão seguir influenciando as relações entre Teerã e os Ocidentais.

Em editorial, Libé analisa, no entanto, que o acordo é incontestavelmente uma vitória pessoal do presidente Barack Obama. Washington e os ocidentais apostam que a abertura e a retormada econômica decorrentes do compromisso irão democratizar o regime dos aiatolás.

Reação do setor petrolífero

Les Echos aponta que os mercados petrolíferos reagiram imediatamente ao anúncio do acordo. O preço do barril do petróleo caiu cerca de 2% ontem. Motivo: o Irã tem a quarta maior reserva mundial do produto e deve aumentar em breve suas exportações, aumentando a oferta global.

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